quinta-feira, 28 de maio de 2020

"A flor que menos cheira"



De repente tudo se agita
O ninho interno palpita
Nos corações das ruas gritam
Uma voz calada na garganta
É o povo que está nas ruas
Coberto com as tripas nuas
Eis a voz que dá consciência
Neste hospício de demência
Sai da cova, anda, levanta-canta.
Não é cultura doutor
Não é bagunça Presidente
É a fome que causa a dor
É a dor que amola os dentes.
De tanto morder no concreto
Já me olham como espectro
Coitado, vítima, marginal
Mas assunta seu doutor
Pra me livrar desta dor
Vou organizar meu arsenal
Vou juntar com outros irmãos
Se tiver, vou das às mãos
E juntos vamos marchar.
Vou procurar o cabeça
Para que o povo não esmoreça
Vamos juntos conversar.
Perguntar onde está a justiça
Pois chega de encher lingüiça
“Assassinos da nação”.
Quero comida pro povo
Não reforme o velho-novo
Se não vou mudar meu tom.
Eu sou fraco e desarmado
Você é forte, covarde e vinculado
Mas o povo de cabeça erguida
Luta e morre pela vida
Pois chega de escravidão
Este chicote assassino
Que mata do velho ao menino,
Um dia tomamos de sua mão.
Aí Sr doutor
Você que nunca teve Amor
Verá como dói bater.
Pois o pobre só serve de escora
Suja carne você viola-explora, o
Caquético e insignificante.
Pois de tanto amordaçado
Grita o pobre violado
De braços dados avante.
Pra não dizer que não falei de flores
Só falei de quem tem dores
Que é uma pétala decepada.
Mas a flor que menos cheira
Tornar-se-á guerrilheira,
Neste tronco apodrecido.
Vem vamos lutar
Que esperar não dá resultado
Quem espera está concordando
Com quem está nos matando.

Texto elaborado para aula
de comunicação Pastoral. Faculdade de Teologia Assunção. 1983.
Comentário da professora Bete “Aldo, mais um poeta e como”.

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