21/10/2012

Participe da confraternização do Psol no próximo sábado dia 27/10/2012, a partir das 18 horas em nossa sede,onde cada um vai trazer um prato coletivo e vamos recepcionar os novos filiados ao partido na cidade.


Psol de São Bernardo do Campo faz plenária para discutir o balanço das eleições e apontar novos caminhos.

 Depois de alguns informes que foram encaminhados a executiva do partido para  os devidos encaminhamento, a palavra foi  aberta  sobre o segundo ponto de pauta que versava sobra avaliação e proposta para o partido  durante o processo eleitoral e daqui pra frente.

Várias falas destacaram aos erros cometidos durante o processo eleitoral, como a dificuldade de material de campanha, falta de profissionalização, dificuldades burocráticas,falta de recursos financeiros , além de outros problemas apontados.

Apesar de alguns erros, também foi enaltecido a unidade da campanha, o trabalho coletivo, a solidariedade,a esperança e crença que estamos construindo um projeto mais amplo que passa pelo processo eleitoral, mas não se esgota no embate eleitoral burguês. Percebe-se que estamos construindo um projeto de poder para a nossa classe. 

Dentre aos pontos de encaminhamentos urgentes, a organização financeira foi um dos pontos de estrangulamento que precisa ser reparado e implementado imediatamente e coletivamente. Outros pontos foram destacados como a organização da juventude e todas as propostas debatidas e divulgadas durante a campanha deverão ser encaminhadas agora pelo conjunto do partido na cidade. Merece destaque a formação política e a comunicação que deve ser levada  a sério e intensificada ainda mais .Outro ponto  que teve encaminhamento  imediato foi  a campanha de filiação que deve ser  concluída pelo menos parcialmente. Nesse sentido, foi aprovado uma confraternização para o próximo sábado dia 27/10/2012, a partir das 18 horas  em nossa sede,onde cada um vai trazer  um prato coletivo e vamos recepcionar os novos filiados ao partido na cidade.

Ao final todos pousaram para a  clássica foto  que será publicada e compartilhada com todos os presentes, além dos filiados e simpatizantes do partido. Nessa plenária esteve presente o presidente do Psol de Mauá, professor André Sapanos que foi candidato a vice-prefeito na cidade.

Num clima de expectativa e de esperança a reunião foi encerrada pela mesa coordenadora dos trabalhos.

Sbcampo, 20/10/2012.

Aldo Santos, Vice-presidente do Partido em sbcmpo

 

18/10/2012

Reunião de representantes de Escola, Estadual e Municipal, dia 23 de Outubro a partir das 8 horas na subsede da apeoesp-sbc.


Reunião de representantes de Escola, Estadual e Municipal, dia 23 de Outubro  a partir das 8 horas na subsede da apeoesp-sbc.

Convidamos os professores representantes para comparecerem a essa importante reunião onde vamos debater as lutas e a pauta de reivindicação dos professores do Estado e do Município de São Bernardo do Campo.

Nós sabemos que a situação dos professores vem piorando a cada dia que passa, mas, sabemos também que nada muda com a indiferença de alguns, com a “contraditória comemoração” do dia dos professores de outros,haja vista que estamos  diante de uma Diretoria Estadual que aposta no imobilismo, na negociação e nos acordos político partidários em nível federal, estadual e municipal.

A Secretária de educação de São Bernardo do Campo Cleuza Repulho, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), revogou o abono de ponto dos professores filiados a APEOESP em São Bernardo do Campo, desrespeitando o  acordo estabelecido com o sindicato, se comportando pior do que o PSDB no Estado de São Paulo, que apesar das profundas diferenças, respeita pelo menos o direito  de reunião sindical, publicando o abono de ponto em diário oficial.Mesmo assim convidamos os representantes da rede municipal para comparecerem  no dia 23, para discutirmos a pauta  de interesse dos professores. 

Compareçam.

Coordenação da APEOESP de SBCampo.

 

 

 

17/10/2012

Estamos sugerindo que durante durante o mês de novembro façamos ...


MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA NA EDUCAÇÃO E NOS MOVIMENTOS SOCIAIS

A COORDENAÇÃO E MEMBROS DA COMISSÃO DE ETNIA DA APEOESP DEFINIU O CALENDÀRIO DAS ATIVIDADES PARA O MÊS DE NOVEMBRO DE 2012.

Estamos sugerindo que durante durante o mês de novembro façamos o debate sobre o significado dos Quilombos no Brasil, das revoltas dos negros e negras escravizados nesse País e qual a lição que podemos tirar dessas lutas de resistências ao longo da História. Desses Quilombos o mais conhecido é o Quilombo dos Palmares, liderado por Zumbi dos Palmares, assassinado em 20 de novembro de 1695. As revoltas foram várias, porém, as mais importantes foram  a revolta dos Malês e da Chibata.

Revolta dos Malês

“No ano de 1835, ocorreu em Salvador, Bahia, a Revolta dos Malês. Mas quem são os malês? A vocábulo “male” deriva da palavra da língua ioruba “imale”. Eram considerados malês os negros mulçumanos que resistiram e reagiram à imposição do catolicismo, mantendo sua crença e cultura. Bastante instruídos, por vezes, até mais do que seus senhores, os malês organizaram inúmeros levantes, o mais conhecido é a Revolta dos Malês.
Entre os líderes dos malês estavam Pacífico Licutã, Manuel Calafate e Luis Sanim, juntos, conseguiram munição, armamentos e elaboraram um plano de luta contra os senhores, visando soltar escravos e conseguir liberdade religiosa. A batalha aconteceu no centro de Salvador com os malês atacando subitamente uma patrulha do exército. Porém, uma denúncia alertou sobre o início da revolta.
Na noite de 24 de janeiro de 1835, alguns malês foram cercados pela polícia na Casa de Manuel Calafate, local onde muitos rebeldes foram mortos e presos. As autoridades agiram com rapidez, conseguiram combater ataques aos quartéis de Salvador, expulsando os revoltosos. Ao tentar fugir da cidade, um grupo de mais de quinhentos malês foi barrado na vizinhança do Quartel de Cavalaria em Água de Meninos, onde ocorreram os combates decisivos, todos vencidos pelas forças policiais.

Neste confronto morreram sete integrantes da polícia e setenta malês. Aproximadamente duzentos escravos foram detidos no Forte do Mar e julgados nos tribunais. As condenações foram a pena de morte para os principais líderes, trabalhos forçados, fuzilamentos e açoites.

De acordo com o historiador João José Reis:

“durante o levante, seus seguidores ocuparam as ruas usando roupas islâmicas e amuletos contendo passagens do Alcorão, sob cuja proteção acreditavam estar de corpo fechado contra as balas e as espadas dos soldados”.

A Revolta dos Malês foi controlada com rapidez, mas acabou aumentando o medo de rebeliões de escravos em todas as províncias. O receio era de que os africanos conseguissem sua independência, como acontecera no Haiti naquela mesma época. Isso fez com que os senhores passassem a agir de forma mais rigorosa com os escravos e, em Salvador, os africanos foram proibidos de circular à noite pelas ruas e de praticar as suas cerimônias religiosas.” (Por Felipe Araújo,publicado no ehttp://www.historiabrasileira.com/periodo-regencial/revolta-dos-males/)

 

A Revolta da Chibata

Essa revolta aconteceu no dia 22 de novembro de 1910, no Rio de janeiro. Depois que o marinheiro Marcelino Rodrigues foi açoitado com 250 chibatadas e mesmo desmaiado continuou sendo açoitado, a revolta eclodiu. A revolta foi liderada pelo Almirante negro João Cândido que junto aos  Marinheiros organizou a revolta contra o castigo da chibata, além de apresentar  uma pauta de reivindicação.

O presidente Hermes da Fonseca decretou o fim dos castigos, porém traiu o acordo com os marinheiros, levando-os a prisão,  a segregação e a morte por parte da repressão dos governantes.

O nosso sindicato luta, conquista  e organiza.

       São inúmeras as possibilidades de estudo em relação a luta contra a escravidão.Podemos avaliar os aspectos geográficos, sociológicos, filosóficos, históricos e antropológicos sobre esse vasto tema.

É nesse contexto que a subsede anualmente debate e organiza os professores, alunos e militantes interessados nessa polêmica e na luta contra a tragédia da escravidão em nosso país.

Há vários anos nossa subsede organiza e resite  contra todas as formas de preconceito racial ainda existente  em nossa sociedade.Nossa subsede também  fez parte da luta e da conquista desde a primeira propositura sobre   a semana da consciência negra em 1989,apoiando também o projeto de lei  do ex-vereador  professor Aldo Santos que  estabelecia o feriado no dia  20 de novembro  em memória a luta  histórica de Zumbi dos Palmares, que hoje é uma realidade.

O “nosso Quilombo” está sempre presente nas atividades do cotidiano, atento a qualquer forma de racismo ou preconceito racial, incentivando a história e a memória da luta e dos lutadores ainda marginalizados em nosso País.

Participe das atividades nas escolas, compareça a nossa tradicional feijoada e venha ouvir historiadores e militantes das nossas causas. Entre em contato com a comissão de etnia da subsede para organizar as atividades em sua escola, bem como, para ter acesso ao acervo de filmes e textos sobre o tema.

 Organize  grupos de trabalho, confeccione cartazes sobre o tema e compareça em nossa subsede no dia 24 de novembro a partir das 12 horas para saborear a tradicional feijoada feita pelo professor Cido, ao preço de R$ 5,00 reais, acompanhada da tradicional Congada do Parque São Bernardo,  debates e atividades culturais/musicais.

Coordenação da subsede da APEOESP–SBC

Comissão de Etnia da subsede da APEOESP-SBC

 

Professor pueril, sociedade vingativa

Professor pueril, sociedade vingativa

15/10/2012
As estatísticas da UNESCO são claras: o salário do professor brasileiro que ensina nas primeiras cinco séries da escola fundamental é o terceiro pior do mundo. No ensino médio, somos o sétimo pior do mundo. Somos uma economia potente e, no entanto, estamos cada vez mais incultos porque pagamos mal o professor e, com isso, sucatemos a nossa escola básica. Realizamos essa proeza por conta de um percurso ininterrupto, da Ditadura Militar (1964-1985) até os dias de hoje. Os salários ruins tornaram a carreira do magistério para a escola básica alguma coisa que sobra apenas para desqualificados e/ou abnegados, e então temos um ensino péssimo que, na mensuração internacional, passa pela mesma humilhação da mensuração salarial.
Os salários de um professor brasileiro, em média (incluindo aí a rede privada!) são cinco vezes menores que os dos professores da Europa, Estados Unidos e Japão.  O professor do ensino fundamental, na cidade de São Paulo, recebe em média US$ 10,6 mil por ano. Isso é 10% do salário de um professor na Suíça. O salário anual médio de um professor brasileiro é de US$ 4.818. No Uruguai e na Argentina esse número dobra: US$ 9.842 e US$ 9.857. O mais significativo é que os professores brasileiros têm renda abaixo do Produto Interno Bruto (PIB) per capita nacional. Além disso, em comparação com países desenvolvidos ou emergentes, as salas de aula brasileiras possuem muito mais alunos. A média da relação professor/aluno do Brasil, no ensino primário, é a sexta maior do mundo: 28,9. No ensino médio o número é 38,6, uma das maiores entre todos os países com economia desenvolvida e/ou emergente.
Por que isso não muda? No “Dia do Professor”, olhando as redes sociais e jornais, ocorre um fenômeno parecido que, se bem observado, nos dá alguma pista.
As mensagens de congratulações aos professores e, de certo modo, entre os professores, mostram bem a mentalidade do brasileiro quanto à profissão do magistério. A maioria das mensagens se parece muito com aquelas dos anos sessenta, que os próprios professores ensinavam as crianças a elaborar para colocar em cartões que deveriam ser entregues no Dia das Mães (ou Dia dos Pais). São mensagens que misturam religião, auto-ajuda ou frases do tipo “a situação do professor é difícil, mas somos resistentes e insistentes – Parabéns pelo nosso dia”. Não é coisa séria. São infantilidades. E de péssimo gosto!
Nossa sociedade é incapaz de sair do buraco em que se meteu após os anos sessenta, quando de reforma em reforma educacional fomos destruindo a profissão de professor e sucateando a escola pública básica e, agora, já há vinte anos, também a particular. Tudo que fizemos foi enaltecer essa infantilidade que os professores, mal ou bem, disseminaram principalmente em datas comemorativas, cívicas etc., mas também no cotidiano regular das aulas. O Brasil não trata os professores seriamente. Responde com um tipo de sarcasmo meio que inconsciente a atitude pueril da escola, simbólica e significativamente estampada nas datas cívicas. O que quero dizer com isso? Explico!
Os professores sempre amenizaram a vida do brasileiro quando contada na escola. Contaram para o brasileiro a história de um país de mentira, “sem terremoto, com um solo eternamente fértil, sem guerras e revoluções, sem grandes traumas, sem racismo, sem violência urbana, sem chacina rural e urbana dos mais pobres e mais pretos; um lugar onde todo pobre poderia sempre ter a ajuda do rico e ser alguém na vida”. Os professores contaram essa fábula para todos os alunos. Estes, uma vez vendo que a vida não era assim e que esse Brasil nunca existiu, tornando-se adultos passaram a desconsiderar a escola. Ela não podia ser levada a sério. Os professores não podiam ser levados a sério se acreditavam naquilo tudo que contavam. Como fazer pressão nos governantes para ter uma política educacional boa se a escola não é um lugar de coisa séria, verdadeira? Os professores sempre se apresentaram, principalmente após os anos sessenta, como babás meio toscas, que compravam cartolina para que cada uma recortasse um coração e entregasse para o pai que, vítima do racismo, da pobreza, do álcool e das igrejas, espancava diariamente a mãe! O aluno obedecia, mas mais ou menos pensava, em silêncio: “esse professor não é bom da cabeça, o mundo em que ele vive não existe, ele parece uma criança!”. Como escrever as bobagens doces dos professores na cartolina para entregar para pais pobres, metidos em enrascadas diárias, ou pais de classe média que nem os viam, pois estavam esgoelando em seus escritórios para tentar não deixar faltar em casa a última Barbie para seus rebentos?
Os professores universitários e os professores do ensino médio escaparam um pouco desse mundo. Ao menos durante um tempo. Mas tendo todo o magistério superior também se tornado feminino, após os anos oitenta a universidade, principalmente nas áreas de formação de professores, ganhou o ar pueril da escola fundamental. A trajetória do Curso Normal mostra bem isso: era um curso que puxava a escola para a vida adulta, mas tendo se transformado no Curso de Pedagogia de hoje, fez o inverso, tem puxado a universidade para a infantilização. Todos os estudantes de magistério de áreas científicas têm horror de fazer matérias em suas universidades nas suas respectivas faculdades ou institutos de educação. “Aquilo não é sério”, dizem. No meu tempo de graduação as matérias “da educação” eram as “perfumarias”. O clima pueril invadiu a universidade pela área educacional. Professoras com vocação materna exagerada criaram a regra de ouro dos “departamentos de educação”: “passe a mão na cabeça do estudante, principalmente se ele tiver cara de pobre” ou já for “um professor da rede”. A mesma mentalidade protetora e fantasiosa da escola básica transmutou-se no populismo barato, rasteiro e perversamente maternal da universidade, reservando para tal atitude maligna o espaço das faculdades ou institutos de educação.
A sociedade brasileira viu na escola esse cultivo da fantasia. Viu no professor não um profissional, mas um “tio” ou uma “tia”. Não um trabalhador, mas alguém que “dá aulas”. Não uma pessoa capaz, mas alguém que foi ensinar exatamente porque não conseguiu realizar ele próprio o que o ensino capacitaria. Como ser governante e subir salários “dessa gente”, que no fundo fica o dia todo “brincando com criança” ou “se divertindo com a fantasia dos jovens”? Há preconceito da sociedade nisso. Mas há também conceito. Pois, de fato, a partir dos anos sessenta fomos cada vez mais fazendo da atividade de ensino alguma coisa antes parecida com o paraíso da brincadeira sem graça do que o cultivo do lúdico necessário a todo animal inteligente.
Moldamos assim a silhueta do professor para a nossa sociedade e, desse modo, criamos as condições para que essa mesma sociedade deixasse de lado o professor e a escola. Por isso mesmo, quase todos nós louvamos a chamada “escola da vida” em detrimento do ensino formal escolar. A maioria de nós dá pouco um nenhum valor para seus professores e insiste dizer que é um autodidata. Aliás, em nenhum lugar do mundo há tanta valorização do autodidatismo como no Brasil. O brasileiro tem vergonha de dizer que não sabia e que aprendeu de fato com o outro, com o professor. Ele prefere até dizer que aprendeu “na rua”, ouvindo “o povo”. Pois ele vê seriedade nisso, mas não na escola. Ela é cor de rosa demais para ser levada a sério. Mesmo agora, quando impregnada pela violência urbana, ela não muda, continua moralista e busca de toda maneira se ausentar da vida social. Censura o palavrão, mas não censura mais a palavra errada saída do português ruim do aluno! A escola pode ser pintada de vermelho de sangue, mas vai continuar pedindo a cartolina para fazer o coração para o Dia das Mães, e vai continuar dizendo que Tiradentes ou era um dentista maluco ou era um “idealista” e que, enfim, “isso faz tanto tempo” que não “tem tanta importância”. A maneira de comemoração das datas cívicas diz tudo da mentalidade do professor, da escola, e o modo como ambos se caracterizaram diante da sociedade.
A pior coisa que poderia acontecer a um profissional aconteceu com o professor: ele não foi tomado como um profissional, mas como um amador. Aliás, literalmente, pois sua profissão não é ensinar, é amar. Mas amar, nesse caso, no sentido que uma garota de nove anos, nos anos cinquenta, imaginava que era o amor!
Na escola pode faltar de tudo. Só não pode faltar amor. E como toda professora cultiva isso e aplaude o governante que repete o refrão do amor, a sociedade olha para esse mundo e conclui: “são crianças, não sabem o que fazem”. E se são crianças, que continuem no faz-de-conta. São como que irmãozinhos mais velhos cuidando dos mais novos – pensa a sociedade. Assim, não se pode deixar de construir uma ponte (desmatando um lugar) para usar esse dinheiro em um mundo de gente pueril, a escola, um lugar de professores, ou seja, de crianças que brincam com crianças, que tomam conta de crianças. Seria gastar mal o dinheiro público se assim fizéssemos. Essa mentalidade é estampada nas mensagens do “Dia do Professor”, ao menos para quem sabe ler nas entrelinhas ou, às vezes, escancaradamente, nas linhas mesmo.
© 2012 Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ.
Post Scriptum. Leitor, não se espante se nos comentários a esse meu texto apareçam os que vão dizer, ainda, que “salário não é tudo”. Idiotas nunca desistem. Não se espantem, também, se surgirem os que vão achar que ataquei o curso de pedagogia ou a “área de educação”. Analfabetos que não entendem meus textos, nunca desistem. E fiquem menos aturdidos, ainda, se vierem feministas que eu chamo de “cabeça de bagre”, criticar a minha posição sobre a “feminização do magistério”. São pessoas que imaginam que estou falando contra a mulher, quando na verdade estou usando de uma tipologia sociológica, já bem estudada e caracterizada em suas consequências

16/10/2012

GOVERNO SUCATEIA A ESCOLA PÚBLICA PARA IMPLEMENTAR A PRIVATIZAÇÃO NO ESTADO.


GOVERNO SUCATEIA A ESCOLA PÚBLICA PARA IMPLEMENTAR A PRIVATIZAÇÃO  NO ESTADO.
Como atividade do sindicato dos professores, visitei várias escolas para entregar O BOLETIM  da subsede e ao mesmo tempo dar uma verificada de como anda a situação dos professores e alunos da escola pública estadual.
O problema central que vem dificultando o aprendizado no Estado, dentre outros, é a falta de professores e não a falta dos professores como afirma alguns órgãos de imprensa do Estado burguês.
Enfrentei essa polêmica no debate realizado na escola estadual João Batista Bernardes no período das eleições e pude constatar essa realidade nas visitas que realizei nas escolas por onde passei, bem como através de telefonemas que recebemos de  várias  regiões.
Segundo dados e posicionamentos de especialistas, “Caiu o número de jovens na escola a partir dos 15 anos de idade. O dado da Pnad 2011 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), explicita um problema que preocupa há algum tempo pesquisadores da educação: a escola não consegue reter o adolescente.
"O jovem que vai à escola não encontra o professor de determinada disciplina ou não tem a aula de maneira adequada. Esse jovem percebe que essa escola [da maneira como é oferecida] não garante um lugar no mercado de trabalho. Então considera que o mais lógico é abandonar a escola", explica a professora Marcia Malavasi, da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). "Dessa maneira, a escola 'expulsa' os jovens do ensino médio", conclui. Ainda, de acordo com a “pesquisa realizada pelo Ibope, em parceria com o Instituto Unibanco, em 2011 mostra que os estudantes do ensino médio perdem entre 17% e 40% dos dias de aulas, na maioria dos casos, por falta de professor.” (Matéria de Cristiane Capuchinho ,Publicado no UOL em São Paulo,02/10/2012) .
Nesse debate, é fundamental a atuação dos educadores comprometidos com a escola pública, das entidades sindicais realmente comprometidas com a defesa desse espaço, sem rendição a esse ou aquele  governante. É fundamental a participação dos alunos de forma propositiva, ganhando as ruas em defesa dessa importante conquista que foi a luta em defesa da escola pública no Brasil, e, da comunidade escolar que sabe  muito bem que o estudo é fundamental na vida dos educandos e o sucateamento e a privatização não combina com a defesa efetiva e democrática do caráter público dada educação.
Esse governo que num primeiro momento tentou desconstruir a imagem dos professores no Estado de São Paulo, persiste com sua política de sucateamento e já implementa algumas experiências no Caminho da privatização e do controle do conteúdo como forma de “domesticar  e inibir” toda e qualquer reação a essa tendência governante em curso. Infelizmente, o governo federal é um irradiador dessas políticas que se contrapõe aos interesses efetivos dos filhos da classe trabalhadora.
Todo diálogo deles está na linha do desmonte da educação propedêutica, reduzindo a educação tão somente para o mundo do trabalho. Uma espécie de condenação dos filhos dos trabalhadores à formação e manutenção da mão de obra barata para a reprodução do capital, enquanto os filhos da elite estudam integralmente para serem a elite pensante, mandante, governante-dominante. Nesse sentido, devemos estabelecer uma profunda aliança de classe em defesa da escola pública de qualidade e laica, diferente dos modelos  acordados pelo governo federal e estadual que as vezes diferem na forma, mas  estão unificados no conteúdo de caráter  privatista e excludente.

Lutar em defesa da escola pública é urgente.

 
ALDO SANTOS, EX-VEREADOR EM SBC, SINDICALISTA, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS PROFESSORES DE FILOSOFIA EFILÓSOFOS DO ESTADO DE SÃO APULO, MILITANTE DO PSOL.

15/10/2012

O inventor da escola pública no Brasil

Anísio Teixeira - O inventor da escola pública no Brasil


O educador propôs e executou medidas para democratizar o ensino brasileiro e defendeu a experiência do aluno como base do aprendizado

Nova Escola
Foto: Divulgação / Instituto Anísio Teixeira
Foto: Divulgação / Instituto Anísio Teixeira
Considerado o principal idealizador das grandes mudanças que marcaram a educação brasileira no século 20, Anísio Teixeira (1900-1971) foi pioneiro na implantação de escolas públicas de todos os níveis, que refletiam seu objetivo de oferecer educação gratuita para todos. Como teórico da educação, Anísio não se preocupava em defender apenas suas idéias. Muitas delas eram inspiradas na filosofia de John Dewey (1852-1952), de quem foi aluno ao fazer um curso de pós-graduação nos Estados Unidos. 

Dewey considerava a educação uma constante reconstrução da experiência. Foi esse pragmatismo, observa a professora Maria Cristina Leal, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que impulsionou Anísio a se projetar para além do papel de gestor das reformas educacionais e atuar também como filósofo da educação. A marca do pensador Anísio era uma atitude de inquietação permanente diante dos fatos, considerando a verdade não como algo definitivo, mas que se busca continuamente. 

Para o pragmatismo, o mundo em transformação requer um novo tipo de homem consciente e bem preparado para resolver seus próprios problemas acompanhando a tríplice revolução da vida atual: intelectual, pelo incremento das ciências; industrial, pela tecnologia; e social, pela democracia. Essa concepção exige, segundo Anísio, "uma educação em mudança permanente, em permanente reconstrução". 

Didática da ação
As novas responsabilidades da escola eram, portanto, educar em vez de instruir; formar homens livres em vez de homens dóceis; preparar para um futuro incerto em vez de transmitir um passado claro; e ensinar a viver com mais inteligência, mais tolerância e mais felicidade. Para isso, seria preciso reformar a escola, começando por dar a ela uma nova visão da psicologia infantil. 

O próprio ato de aprender, dizia Anísio, durante muito tempo significou simples memorização; depois seu sentido passou a incluir a compreensão e a expressão do que fora ensinado; por último, envolveu algo mais: ganhar um modo de agir. Só aprendemos quando assimilamos uma coisa de tal jeito que, chegado o momento oportuno, sabemos agir de acordo com o aprendido. 

Para o pensador, não se aprendem apenas idéias ou fatos mas também atitudes, ideais e senso crítico – desde que a escola disponha de condições para exercitá-los. Assim, uma 
criança só pode praticar a bondade em uma escola onde haja condições reais para desenvolver o sentimento. A nova psicologia da aprendizagem obriga a escola a se transformar num local onde se vive e não em um centro preparatório para a vida. Como não aprendemos tudo o que praticamos, e sim aquilo que nos dá satisfação, o interesse do aluno deve orientar o que ele vai aprender. Portanto, é preciso que ele escolha suas atividades. 

Por tudo isso, na escola progressiva as matérias escolares – Matemática, Ciências, Artes etc. – são trabalhadas dentro de uma atividade escolhida e projetada pelos alunos, fornecendo a eles formas de desenvolver sua personalidade no meio em que vivem. Nesse tipo de escola, estudo é o esforço para resolver um problema ou executar um projeto, e ensinar é guiar o aluno em uma atividade.

Quanto à disciplina, Anísio afirmava que o homem educado é aquele que sabe ir e vir com segurança, pensar com clareza, querer com firmeza e agir com tenacidade. Numa escola democrática, mestres e alunos devem trabalhar em liberdade, desenvolvendo a confiança mútua, e o professor deve incentivar o aluno a pensar e julgar por si mesmo. "Estamos passando de uma civilização baseada em uma autoridade externa para uma baseada na autoridade interna de cada um de nós", diz ele em seu livro Pequena Introdução à Filosofia da Educação. 

Como preparar o professor para essa tarefa hercúlea da escola de hoje, ocupada por tantos alunos que não se contentam em aprender apenas as técnicas e conhecimentos mais simples mas também as últimas conquistas da ciência e da cultura? O que fazer quando eles exigem informações até mesmo sobre tendências indefinidas e problemas sem solução? Para responder a tantas questões, os educadores do mundo todo precisarão de novos elementos de cultura, de estudos e de recursos, propôs o pensador, que na prática instalou novos cursos para professores. Só assim, dizia, os mestres tentarão renovar a humanidade para "a grande aventura de democracia que ainda não foi tentada". 
Para pensar
As escolas comunitárias americanas inspiraram a concepção de ensino de tempo integral de Anísio Teixeira. Lá, no entanto, a jornada dificilmente tem mais do que seis horas diárias. O conceito entre nós ampliou-se consideravelmente: escola de pelo menos oito horas e, no caso dos Cieps, uma instituição que deveria dar conta de todas as necessidades das crianças, até mesmo de cuidados maternos e moradia. Numa realidade na qual os recursos são limitados, o problema é de prioridades e decisões difíceis: manter uma escola com esse modelo para uma minoria ou manter um modelo menos ambicioso para a maioria? Afinal, Anísio também propunha uma escola para todos.
Educação como meta política
Fernando de Azevedo, reformador do ensino público, com normalistas da Escola Caetano de Campos: Manifesto da Escola Nova. Foto: Caderno de Pesquisas/FCC
Fernando de Azevedo, reformador do ensino
público, com normalistas da Escola Caetano
de Campos: Manifesto da Escola Nova.
Foto: Caderno de Pesquisas/FCC
Nos anos 1920, com a crescente industrialização e a urbanização em todo o mundo, a necessidade de preparar o país para o desenvolvimento levou um grupo de intelectuais brasileiros a se interessar pela educação – vista como elemento central para remodelar o país. Os novos teóricos viam num sistema estatal de ensino livre e aberto o único meio efetivo de combate às desigualdades sociais. Esse movimento chamado de Escola Nova ganhou força nos anos 1930, principalmente após a divulgação, em 1932, do Manifesto da Escola Nova. O documento pregava a universalização da escola pública, laica e gratuita. Entre os nomes de vanguarda que o assinaram estavam, além de Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo (1894-1974), que aplicou a sociologia à educação e reformou o ensino em São Paulo nos anos 1930, o professor Lourenço Filho (1897-1970) e a poetisa Cecília Meireles (1901-1964). A atuação desses pioneiros se estendeu por décadas, muitas vezes criticada pelos defensores da escola particular e religiosa. Mas eles ampliaram sua atuação e influenciaram uma nova geração de educadores como Darcy Ribeiro (1922-1997) e Florestan Fernandes (1920-1995). Anísio foi mentor de duas universidades: a do Distrito Federal, no Rio de Janeiro, desmembrada pela ditadura de Getúlio Vargas, e a de Brasília, da qual era reitor quando do golpe militar de 1964.
A escola pública e integral como solução
A Escola Parque de Salvador, em 1950: projeto piloto de ensino integral. Foto: CPDOC/FGV
A Escola Parque de Salvador, em 1950: projeto
piloto de ensino integral. Foto: CPDOC/FGV
Para ser eficiente, dizia Anísio, a escola pública para todos deve ser de tempo integral para professores e alunos, como a Escola Parque por ele fundada em 1950 em Salvador, que mais tarde inspiraria os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) do Rio de Janeiro e as demais propostas de escolas de tempo integral que se sucederam. Cuidando desde a higiene e saúde da criança até sua preparação para a cidadania, essa escola é apontada como solução para a educação primária no livro Educação Não É Privilégio. Além de integral, pública, laica e obrigatória, ela deveria ser também municipalizada, para atender aos interesses de cada comunidade. O ensino público deveria ser articulado numa rede até a universidade. Anísio propôs ainda a criação de fundos financeiros para a educação, mas, mesmo com o atual Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), os recursos são insuficientes para sustentar esse modelo de escola.
Biografia
Anísio Spínola Teixeira nasceu em 12 de julho de 1900 em Caetité (BA). Filho de fazendeiro, estudou em colégios de jesuítas na Bahia e cursou direito no Rio de Janeiro. Diplomou-se em 1922 e em 1924 já era inspetor-geral do Ensino na Bahia. Viajando pela Europa em 1925, observou os sistemas de ensino da Espanha, Bélgica, Itália e França e com o mesmo objetivo fez duas viagens aos Estados Unidos entre1927 e 1929. De volta ao Brasil, foi nomeado diretor de Instrução Pública do Rio de Janeiro, onde criou entre 1931 e 1935 uma rede municipal de ensino que ia da escola primária à universidade. Perseguido pela ditadura Vargas, demitiu-se do cargo em 1936 e regressou à Bahia – onde assumiu a pasta da Educação em 1947. Sua atuação à frente do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos a partir de 1952, valorizando a pesquisa educacional no país, chegou a ser considerada tão significativa quanto a Semana da Arte Moderna ou a fundação da Universidade de São Paulo. Com a instauração do governo militar em 1964, deixou o instituto – que hoje leva seu nome – e foi lecionar em universidades americanas, de onde voltou em 1965 para continuar atuando como membro do Conselho Federal de Educação. Morreu no Rio de Janeiro em março de 1971.
Quer saber mais?
Educação Não É Privilégio, Anísio Teixeira, 253 págs., Ed. UFRJ, tel.            (21) 2295-1595      , 35 reais 
Pequena Introdução à Filosofia da Educação, Anísio Teixeira, 176 págs., Ed. DP&A, tel.             (21) 2232-1768      , 25 reais 
Trajetórias de Liberais e Radicais pela Educação Pública, Diana Couto Pinto, Maria Cristina Leal e Marília Pimentel, 152 págs., Ed. Loyola, tel.             (11) 6914-1922      , 17 reais

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Educação 1349 31/12/2009 - 18h 4992 



Dossiê



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