sexta-feira, 11 de abril de 2014

LUIZA MAHIN, EXEMPLO DE LUTA CONTRA A OPRESSÃO DE CLASSE, GÊNERO E ETNIA.

LUIZA MAHIN, EXEMPLO DE LUTA CONTRA A OPRESSÃO DE CLASSE, GÊNERO E ETNIA.

Fragmentos e referência histórica sobre a militante Luiza Mahin podem ser encontrados no  livro “Luiz Gama, o libertador de escravos e sua mãe libertária, Luiza Mahin, de autoria de Mouzar Benedito, da editora expressão popular”.[1]
Ele relata a Lúcio Mendonça: “Sou filho natural de uma negra, africana livre, da costa Mina (Nagô de Nação) de nome Luiza Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. Minha mãe era baixa de estatura, magra, bonita, a cor era de preto retinto e sem lustro, tinha os dentes alvíssimos como neve, era muito ativa, geniosa, insofrida e vingativa. Dava-se ao comércio - era quituteira, muito laboriosa, e mais de uma vez, na Bahia foi presa como suspeita de envolver-se em planos de insurreições de escravos, que não tiveram efeito. Em 1837, depois da revolução do dr. Sabino, na Bahia, veio ela ao Rio de janeiro e nunca mais voltou. Procurei-a em 1847, em 1856 e em 1861, na corte sem que a pudesse encontrar. Em 1862, soube, por uns pretos minas que conheciam-na e que deram-me sinais  certos, que ela, acompanhada de  malungos desordeiros,  em uma “casa de dar fortuna”, em 1838, fôra posta em prisão; e que tanto ela  como seus companheiros desapareceram. Era opinião dos meus informantes que esses ‘amotinados’ fossem mandados pôr fora pelo governo, que, nesse tempo, tratava rigorosamente os africanos livres, tidos como provocadores”.
Outras citações a define como inteligente e rebelde,  transformando sua casa num espaço de acolhimento e organização das revoltas negras que aconteciam em Salvador no século XIX. Foi presa várias vezes e  teve participação ativa na revolta dos Malês em 1835 na Bahia. Essa  revolta foi organizada pelos líderes: Luiza Mahin, Pai Inácio, Luis Sandim, Manuel Calafate, Pacífico Licutam, Nicoti, Dissalu Elesbão e outros. A maioria desses negros eram “escravos de ganho”. Nessa revolta morreram cerca de 70 negros, 10 soldados, além de centenas de presos e condenados a deportação. A repercussão dessa revolta foi um marco na luta contra  a escravidão. Luiza Mahin participou ainda da Sabinada em 1937, fugindo para o Rio de janeiro para dar continuidade na luta  pelo fim da  abjeta escravidão. Segundo informações, possivelmente ela fôra deportada para a África.
Nos versos que escreveu para Luiza Mahin, percebe-se o grande amor e admiração de Luiz Gama pela mãe, que será eternizado para sempre na luta antiescravagista que ele fielmente tomou partido ao longo de sua existência, deixando importante legado a história dos lutadores:

Era mui bela e formosa
Era a linda pretinha,
E a adusta Líbia rainha
E no brasil, pobre escrava.
Ò que saudade que eu tenho
Dos seus mimosos carinhos,
Quando co’os tenros filhinhos
Ela sorrindo brincava.
Éramos dois- seus cuidados,
Sonhos de sua alma bela;
Ela, a palmeira singela,
Na fulva areia nascida.
Nos roliços braços de ébano
De amor o fruto apertava
E à nossa boca juntava
Um beijo seu, que era vida.
Suave o Gênio, qual rosa
Ao despertar da alvorada,
Quando treme enamorada
Ao sopro d’aura fagueira.

Luiza Mahin foi uma grande revolucionária que consagrou sua vida em defesa da liberdade humana, denunciando  e rebelando-se contra a tragédia da escravidão africana, responsável pela diáspora e o lucrativo comércio dos escravizados em várias partes do mundo, e, particularmente,  em nosso continente. Sua memória deve ser cultivada e seu exemplo deve servir de motivação combatente contra toda e qualquer forma de opressão  a classe trabalhadora  e a opressão  de gênero e etnia.

Lutar, resistir e vencer é preciso!

Aldo Santos - ex-vereador em Sbcampo, coordenador da apeoesp sbc, Presidente da Aproffesp  e Aproffib, membro da executiva da Intersindical-central da classe trabalhadora e militante do Psol.




[1] Luiz Gama: o libertador de escravos e sua mãe libertária, Luiza Mahim/ Mouzar Benedito—1. ed.-São Paulo: Expressão popular, 2006.

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