quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Professora acusa motorista da SBCTrans de racismo

 
Professora acusa motorista da SBCTrans de racismo
Por: Rosângela Dias (rosangela@abcdmaior.com.br)

13/11/2012 - RACISMO
Mãe relata que o filho ficou abalado com episódio. Foto: Andris Bovo
Mãe relata que o filho ficou abalado com episódio. Foto: Andris Bovo
Ana Rita afirma que seu filho de 16 anos foi vítima de discriminação dentro de ônibus

Uma motorista da empresa SBCTrans, de São Bernardo, está sendo acusada pelo crime de racismo. A autora da denúncia é a professora Ana Rita Batista Guedes Domingos, mãe de Renato Batista Guedes Domingos, 16 anos, que afirma ter sido vítima de discriminação racial por parte da funcionária.
O episódio aconteceu no último dia 23 de outubro, por volta das 16h. O adolescente relatou que, no momento em que entrou no ônibus com colegas de escola, a motorista estava conversando e não liberou a catraca mesmo depois de Renato ter pagado a passagem. Na terceira tentativa de passar pela catraca, a motorista teria se irritado, chamando-o de “neguinho folgado”.
Incentivado pelos amigos, o adolescente decidiu ir até o ponto final para anotar os dados do coletivo. Quando percebeu a ação, a motorista teria tirado satisfação com o garoto e novamente proferido expressões de cunho racista.
“Ele ficou muito abalado e me ligou chorando, meu filho foi humilhado na frente dos colegas. Depois fui falar com ela na garagem do ônibus, a única coisa que a gente queria era uma retratação, mas ela disse que era assim mesmo, que dizia essas coisas quando ficava nervosa e que se eu quisesse poderia procurar os meus direitos”, contou Ana Rita.
Boletim - A professora registrou boletim de ocorrência e entrou em contato com a empresa. “Eles não levaram muito a sério”, disse a mãe, que percebeu mudanças no comportamento do filho, que prefere não falar sobre o episódio. Renato adotou uma postura mais reservada e passa mais tempo isolado no próprio quarto. Por conta disso, Ana Rita pretende procurar ajuda psicológica para evitar que o caso deixe marcas na vida do filho.
“Na minha cabeça, isso era algo que acontecia muito raramente. Eu disse que ele não tem que ter vergonha de ter nascido negro, ela é quem tem que ter vergonha da postura que teve”, afirmou a professora, que pretende entrar com processo judicial contra a empresa e a funcionária. “Todo mundo deixa pra lá, mas as pessoas têm que aprender a medir as palavras. Vou representar contra eles para que outros filhos não passem pelo que o meu passou.”
Procurada, a assessoria de imprensa da SBCTRANS informou, por meio de nota, que “a equipe de serviço social está acompanhando o caso de forma a garantir a plena satisfação do usuário". A nota acrescenta: "Comunicamos, outrossim, que os colaboradores da SBCTRANS são submetidos, periodicamente, a treinamentos e workshops, buscando constantemente a melhoria na qualidade dos serviços prestados, investindo no desenvolvimento profissional e humano”.

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