05/07/2019

DEPOIMENTOS NO ATO DE DESAGRAVO EM DEFESA DO PROFESSOR ALDO SANTOS







 Mediadora: PROFESSORA LÚCIA PEIXOTO
Dando início a nossa plenária, eu sou a professora Lúcia, da cidade de Caieiras, sou presidente da APROFFESP, que o nosso querido Aldo fundou, Associação de Professores e Professoras de Filosofia e Filósofos do Estado de São Paulo, sou também da direção da Intersindical e estamos aí junto com o Aldo já há algum tempo fazendo as lutas e somamos aqui neste ato de desagravo diante dessa barbárie que a gente vê avançar nesse país. Então, nós entendemos que o Aldo é uma causa hoje, porque não é só o Aldo que é atacado, não é a pessoa do Aldo Santos que é atacada, mas é o militante Aldo Santos, é o político, é o professor, é o defensor de direitos.
Por isso nós estamos aqui hoje para realizar esse ato de desagravo. Agradecendo a presença de todos. Seria importante que todo mundo pudesse falar, acredito que todos aqui tenham depoimentos para contribuir, para nos lembrar de quão importante é a luta do Aldo Santos.  Como não dá para todo mundo falar, vamos ver se a gente dá conta com as representações dos movimentos aqui presentes. Nós temos o Fernando Tolentino, do PSOL municipal; Walmir que é secretário da APROFFESP; Marcos, hoje eleito presidente da APROFFIB; Serginho Hora, que era também conselheiro tutelar no momento da ocupação que vai motivar essa condenação; Albert, do MEL  Movimento Estudantil; Hélio do MTST; Hélder da Resistência; José Geraldo, vereador de Hortolândia; Ana Valim, jornalista; Joãozinho, APEOESP; Paulo da APEOPESP e da TLS; Chininha da Igreja Católica; Carmelice, diretora de escola; Sueli da Socialismo ou  Barbárie; Eliana, coordenadora da subsede APEOESP de Hortolândia; Ivanildo, da Associação Moradia Oeste e Léo Duarte, do Conselho Tutelar.





DEPOIMENTOS

FERNANDO TOLENTINO- PRESIDENTE DO  PSOL/SBC
O que está acontecendo com o companheiro Aldo, pegando o gancho que a Lúcia disse, não é só a condenação a uma pessoa, a um militante, é a criminalização dos movimentos sociais, como também à militância partidária, como o ativismo sindical de modo geral, que tudo está interligado no que se refere a lutas de classes. E na minha avaliação, isso serve como um exemplo de arbitrariedade, porque hoje há outras arbitrariedades que estão sendo feita, como a própria prisão do Lula, arbitrariedades cometidas contra outras pessoas também que são inconvenientes no momento para toda essa conjuntura.
Além do Aldo, há outros exemplos de tentativas de conter a militância de esquerda, quem defende sem-terra, sem teto, defende os trabalhadores, como historicamente o Aldo defendeu. A conjuntura, muitas vezes, deixa a gente um pouco amedrontado, esse tipo de condenação arbitrária acho que serve para isso. Quando eu estudei direito, eu não cheguei a completar, tinha um professor que dizia "O juiz pode ser pró-réu ou pró-reclamante, mas tem que sempre estar do lado dele mesmo." Quem decidiu por essa arbitrariedade, muitas vezes, dá uma de Pôncio Pilatos, lava as mãos.
E eu, em nome do pessoal, venho aqui prestar a solidariedade e apoio incondicional ao Aldo e a todos que interessem nessa questão de luta de classes. A gente sempre vai estar do lado dos trabalhadores para defender os nossos interesses que são diferentes do interesse do capital, a gente sempre vai estar nesse antagonismo entre capital e trabalho, obrigado pela atenção.

PROFESSOR WALMIR DA APROFFESP
Sou professor Walmir, de São Paulo, região da Lapa, secretário da APROFFESP, companheiro do Aldo na luta na construção da entidade. A gente está aqui hoje dando a solidariedade ao Aldo no contexto que nós sabemos que não é de hoje a luta contra os trabalhadores. Eu milito desde minha juventude, comecei lá no Movimento Sem Terra na região norte, na época em que líderes do movimento eram ceifados a mando de fazendeiros, testemunhei na época, na década de 80 também, em Rondônia, casos de assassinatos. Hoje nós estamos vivendo a partidarização da justiça de certa maneira, a justiça burguesa tomando o lado realmente. Enquanto nós vivemos uma perseguição no âmbito da Educação, tentando tolher a nossa liberdade, nos acusando de partidarizar, mas nós temos, na verdade, uma justiça partidária, uma justiça que tem lado e que está aí a mando de outros interesses, a fim de silenciar as lideranças sociais, as lideranças dos trabalhadores.
Então, mais do que nunca esse momento, essa tarde aqui é para somar a força novamente em apoio ao Aldo. Mas também nessa luta que nós vamos ter que enfrentar, de agora para frente, com relação ao fortalecimento dessa perseguição. Então, mais que nunca, unidos, lutando e apoiando os movimentos sociais, muita força para os movimentos sociais e força aos trabalhadores nesse contexto de luta.

Dr. MARCOS SILVA E SILVA- PRESIDENTE DA APROFFIB
É bom a gente se reunir, às vezes, para falar de uma pessoa que representa a luta dos movimentos sociais, a luta pela democracia, e a gente nunca pensou que aquelas velhas teorias da conspiração de que o sistema inteiro estaria contra ao povo, agora a gente está vendo, o sistema inteiro está contra a gente. A gente tem que ter consciência disso, a mídia, a polícia, o judiciário, o sistema inteiro está contra o povo.
Vou contar uma história aqui do Aldo, que é uma história que representa o momento dele. Lá em Santo André, que é aonde estou, teve uma manifestação, o Aldo estava naquela praça, na Concha acústica de Santo André, do lado da igreja, de repente, o pai de uma mocinha chegou para reclamar com o Aldo porque a menina estava ali conversando com ele sobre política, falando de PSOL, falando de luta. O pai da menina chamou o Aldo de canto para reprimi-lo, porque ele não queria que fizesse aquilo.  Eu vendo aquela situação por inteira, tirei uma foto do Aldo e lembrei de uma história, que eu sou de filosofia, lembrei de Sócrates.
Para quem não conhece, o Sócrates foi um filósofo que foi condenado por corromper a juventude, e rapidamente eu fiz a associação entre o Aldo e o Sócrates, cada um na sua medida. Porque o Sócrates foi condenado à morte, teve que tomar cicuta para negar a verdade que ele manifestava com os meninos ali na democracia e o Aldo foi condenado pelo pai porque estava “corrompendo” aquela menina ali naquela hora. Agora eu vejo do Aldo é um pouco pior que o Sócrates. O Sócrates foi covarde, porque ele tirou a própria vida e não quis lutar pela verdade, ele não negou a verdade, mas não lutou por ela. O Aldo é diferente, sinto que ele não aceita a condenação, e luta pela verdade, ou seja, luta pela justiça. E o que é mais bonito, no momento da morte de Sócrates, praticamente ele estava sozinho, tinha cinco ou seis com ele, no momento dessa injustiça contra o Aldo a gente percebe que ele não está sozinho.
E uma coisa que temos que ter em nossas cabeças, caso isso continue, não é contra o Aldo, mas é contra tudo aquilo que nós acreditamos, é contra o direito da minoria, é contra a moradia, é contra a educação, é contra as pessoas individuais. O Aldo representa aqui o que é o problema da maioria, mas a gente não pode esmorecer porque ainda há luz no fim do horizonte e essa luz é um pouco do raio de sol, PSOL.


 HORÁCIO NETO-ADVOGADO
A gente quer manifestar aqui também a nossa solidariedade ao companheiro Aldo e à outra companheira que também foi condenada nesse processo, a Camila, que está em outra atividade agora. Então, eu quero dizer a vocês que a gente vem lutando nesse processo desde 2004, quando ocorreu o Movimento por Moradia no terreno da Volkswagen, e foi com a direção do MTST, que já vem desde daquela época. Eu era vereador assim como o Aldo, na época, eu era vereador em São Caetano. O Aldo participou no apoio ao Movimento de Moradia dos trabalhadores e trabalhadoras diretamente como vereador de São Bernardo, nós apoiamos também, como vereador de São Caetano, não nos ligamos diretamente ao Movimento.
E a partir daí surgiu uma série de acusações, a Câmara Municipal daqui isentou o companheiro Aldo de qualquer ato ilegal, mas o Ministério Público da cidade propôs uma ação civil pública contra os líderes do movimento, que eram do MTST, a Camila, inclusive que fazia parte, e contra o Aldo Santos, vereador que estava apoiando o movimento. A acusação era de praticar-se atos contra a ordem urbanística, coisas assim, desse nível, e o processo correu os envolvidos, os participantes foram absolvidos aqui em São Bernardo do Campo e o Ministério Público recorreu para São Paulo. Em São Paulo, ocorreu uma dura condenação aos militantes e ao Aldo e nós recorremos para Brasília, onde conseguimos anular esse julgamento, nós apontamos uma falha no julgamento, porque não tinham levado em conta um dos argumentos da nossa defesa, em suma, que o Movimento era legítimo e que a participação do parlamentar era no apoio a esse movimento. Aí o processo voltou para São Paulo para um outro julgamento e nisso corre os anos, e nesse outro julgamento que a gente tinha a expectativa de que ocorreria algo diferente, o Tribunal saneou a falha que tinha sido apontada, a omissão que tinha sido apontada e confirmou a condenação.
E a partir daí nós recorremos novamente ao STF e ao Superior Tribunal de Justiça, mas esgotamos todos os argumentos, e não conseguimos reverter a decisão que transitou em julgado agora recentemente, em 2018. Então, o processo voltou para São Bernardo e está agora em fase de execução, a luta jurídica continua, inclusive com reforço dos companheiros advogados da APEOESP e com o Luiz Eduardo Greenhalgh, que também é advogado da APEOESP, e conhecido dos movimentos sociais.
Nós estamos fazendo resistência à uma execução que está bloqueando as contas do Aldo Santos, e ameaçando penhorar imóveis e assim por diante. Então, nós achamos que nesse momento cabe levantar duas bandeiras: a bandeira jurídica, que é a resistência à essa execução, nós entramos com recurso feito pelo companheiro da APEOESP; e estamos também fazendo a luta política, como exemplo esse ato, e outras iniciativas que virão.
Então, quero aqui novamente manifestar solidariedade ao companheiro Aldo e dizer que estamos juntos nessa luta, vamos até o fim, porque esse ato na verdade é contra também a criminalização dos movimentos sociais que já vem lá detrás, em 2004, e que hoje está tão na moda falar em criminalização, mas lá atrás já tinha isso. Nós temos que estar juntos nessa luta.

SERGINHO HORA - PROFESSOR E CONSELHEIRO TUTELAR, NA ÉPOCA
Eu estava conselheiro tutelar naquele período, o Léo, que é conselheiro hoje, também estava na ocupação, fui todos os dias no terreno, desde do primeiro dia. Um dia antes, o Derinho passou no conselho tutelar, a gente conversou um pouco, e aí no sábado de madrugada ocorreu, de uma hora para outra, o número de pessoas era muito grande, o número de crianças era muito grande. Um processo extremamente complexo, porque de onde essas pessoas vinham não tinha saneamento básico, elas não tinham condição de pagar aluguel, era um período difícil, de uma conjuntura extremamente difícil do ponto de vista municipal.
O Dib era o prefeito da cidade, nós não tínhamos projetos de moradia popular na cidade, e era o início do governo Lula. O pessoal vai para a ocupação, alguns jovens, naquele momento o companheiro Guilherme Boulos era uma das lideranças, a Camila e outras lideranças, algumas ligadas à USP, eles tinham uma relação muito próxima com o projeto Meninos e Meninas de Rua, o companheiro Marcelo Buzetto, do MST que estava junto com o MTST nesse processo. A ocupação ocorreu porque teve um trabalho muito grande, o projeto estava envolvido, algumas igrejas, o pastor Levi, e outros companheiros que estavam nesse processo.
Eu estive lá todos os dias, participei do dia inclusive que o jornalista levou o tiro, nós estávamos saindo com mil registros de nascimento de crianças lá e o tiro aconteceu na nossa frente. Na verdade, assaltaram um posto de gasolina que tinha ali perto e um dos jornalistas acabou fotografando ou filmando e o pessoal que assaltou veio e pediu a câmera e o cara não deu e deram tiro nele. E aí virou uma tragédia nacional aquele processo, porque se voltou contra a ocupação naqueles primeiros momentos. Aquele terreno era da Volkswagen, que devia muito imposto, estava largado aquilo, nós participamos de todas as negociações, inclusive no comando junto com o Ivan, Horácio, o Guilherme, Aldo, o Wagner, alguns vereadores daqui da região, com muita gente. Um dia o Guilherme Boulos saiu no meio da negociação porque ele se estranhou com um dos comandantes e foi embora porque o que eles queriam de fato é desocupar de uma vez por todas.
O conselho tutelar, nós tivemos uma posição bem interessante, na época, tentamos segurar ao máximo, fizemos uma representação para o juiz, eu e o ILacir fomos chamados pelo juiz para falar, porque o prefeito foi lá e pediu as nossas cabeças.  A gente teve argumento para conversar com o juiz e num determinado momento a conversa foi essa "Se você vai tirar o pessoa de lá, você tem que arrumar um lugar para eles, não pode ser desse jeito." Aí, o doutor Luiz tirou um pouco o pé nesse processo, mas foi extremamente complexo. Eu estive lá no penúltimo dia, na manhã seguinte era a desocupação, nós sabíamos porque o conselho tutelar, sempre que há uma reintegração de posse tem a função de resguardar o direito das crianças que estão lá.
O conselho tutelar é obrigado a acompanhar o processo, tinha uma ordem judicial solicitando isso. Eu fui à noite lá, era uma noite fria, o lugar era bem escuro, e aí encontrei alguns companheiros lá dentro da ocupação, no outro dia seria a reintegração de posse. Eles usaram 800 policiais para fazer a reintegração de posse, fecharam as escolas da região, eles tinham toda a informação. Quando eu chego lá encontro alguns companheiros sentados no chão, entre eles o companheiro Aldo Santos, que foi presente nessa ocupação o tempo inteiro, tentando fazer com que aquelas pessoas não tivessem seus direitos violados mais do que elas já tinham, porque viver numa condição daquela, debaixo de uma lona preta, daquele jeito que estava, não era tranquilo. As noites eram frias, os dias quentes, muito quentes, muitas crianças lá, uma situação extremamente complexa. Quando eu cheguei lá dentro, eu posso até cometer alguma injustiça, mas encontrei a Irene sentada no chão, companheira de Diadema, o companheiro Wagner Lino, companheiro Aldo Santos, eu sei que tinha um advogado que estava acompanhando, eu lembro mais desse pessoal, o Melão esteve lá o tempo inteiro, a Rosa do Fórum Municipal da Criança, estava lá todos os dias, todas as lideranças aqui da região iam para lá para colaborar, para que aquilo não virasse uma tragédia.
Eu vim aqui dizer o seguinte, Aldo, um vereador só tem sentido de ser se for para estar ao lado das pessoas que necessitam, não é fiscalizar, dar o parlamento, aquela chatice que é lá, é ir para rua e defender aqueles que precisam, você teve a posição correta, companheiro, e aqueles companheiros todos que estavam lá tiveram a posição correta. Nós lutamos contra uma justiça entre aspas, que só comete injustiça, principalmente quando é com os pobres, porque eles podiam muito bem - 3 mil pessoas estavam lá, aquelas pessoas não tinham saneamento básico, havia muita criança, era uma situação horrorosa - podiam muito bem ter negociado aquele terreno, as pessoas não queriam de graça, queriam que se fizesse uma negociação.
Então, Aldo, eu vim aqui para falar que estamos solidários, sabemos que é uma questão complexa. É difícil ficar com o salário bloqueado, porque não é nenhum empresário que está com o pagamento trancado lá, é um trabalhador aposentado, professor, que não deve ser 10 mil reais sua aposentadoria. Então, eu entendo e a gente está solidário aqui, inclusive para se juntar a qualquer solidariedade que for feita.

ALBERT - MEL (MOVIMENTO ESTUDANTIL LIVRE)
Eu gostei muito da fala do professor que falou sobre Sócrates, me identifiquei muito, porque o Aldo é uma figura muito importante para a juventude. Mais do que as palavras, mas também como o papel de educador de exemplo, acho que ele é um exemplo para gente de responsabilidade da luta, não só de um período, mas a luta da vida inteira. Como aquele poema, que diz "Pessoas que lutam um dia são boas, que lutam anos são melhores ainda, agora quem luta a vida inteira são imprescindíveis".
Acho que para a gente esse é um exemplo, principalmente essa questão da responsabilidade. E também ser responsável para lutar contra essa condenação, que é uma condenação contra a gente, temos que levar para as pessoas, na faculdade, na escola, no lugar de serviço essa questão, estar divulgando, levando abaixo-assinado, chamando para o próximo ato, acho que é uma responsabilidade inclusive moral, ainda mais nesse momento que a gente está lutando contra o fim da aposentadoria, tem um companheiro nosso que está com a aposentadoria ameaçada. A gente teve a eleição agora que o Guilherme Boulos foi candidato a presidente, a gente tem um companheiro que apoiou a ocupação que está sendo condenado, então, acho que a gente tem o dever moral de estar todo dia falando isso com as pessoas, estar levando esse material, estar divulgando o máximo possível e lutando, porque é a gente que está sendo condenado também.

 

HÉLIO - MILITANTE DO MTST
Referente ao Aldo Santos, essa ocupação em 2004 eu não acompanhei, eu não vou comentar nada sobre isso, mas escutei muito sobre, ele falou muito. Inclusive, eu e o Aldo, a gente anda muito nos movimentos, ele é uma influência para a juventude, não só para mim, mas para todos do movimento principalmente. Sempre estava fortalecendo no momento bom ou difícil, coloca o pé na lama, ajuda lá nos barracos, sempre vimos você lá Aldo na Scania. Acho que é assim como o Lula, onde vai parar esse Brasil? Hoje você ajudar os menos favorecidos, a classe trabalhadora, a classe pobre desse país, você pode ser condenado, seguindo exemplo do Aldo Santos, onde nós vamos parar desse jeito?

HÉLDER - RESISTÊNCIA/PSOL
Eu vim trazer a solidariedade da Resistência, sou o Hélder do PSOL aqui de São Bernardo. E lembrar o que alguns companheiros já disseram, que a gente está num momento de grande ofensiva da burguesia, dos opressores sobre os trabalhadores, e para arrancar nossos direitos eles vão atacar aqueles que lutam pelos direitos, isso foi o que fizeram com o companheiro Aldo Santos. Isso é o que fazem no campo do Brasil, matando os lutadores do campo, na cidade, criminalizando os movimentos dos trabalhadores, dos Sem Teto, o que eles querem fazer é nos esmagar e a gente tem que resistir contra isso.
A gente vê uma ofensiva tentando formalizar com um pacote anticrime do senhor Sérgio Moro, que quer colocar a prisão após 2ª instância e ampliar o conceito de legítima defesa para o policial, que a gente sabe que no Brasil hoje há um verdadeiro genocídio da juventude negra. A gente sabe que nesse país se não enfrentar isso nós seremos esmagados. A gente tem que enfrentar essa condenação ao companheiro Aldo Santos, que é uma condenação muito grave e cassação aos direitos políticos, e também congelamento dos bens, é um ataque a todos nós como já disseram aqui. A gente tem que seguir firme na luta, porque senão eles vão nos derrotar e a gente não vai deixar isso acontecer. Queria trazer essa solidariedade aqui dos companheiros da Resistência e falar para o companheiro Aldo que a gente está na luta, a gente vai ter que denunciar isso cada vez mais e vamos seguir firmes.

JOSÉ GERALDO - VEREADOR DE HORTOLÂNDIA (SP)
O vereador Aldo Santos talvez seja o camarada mais corajoso que eu já conheci até hoje e punir o Aldo Santos hoje é punir a coragem. Mais do que punir a coragem, punir a coragem de um homem extremamente generoso nas suas ações, do homem que sempre me ensinou, e eu quero dizer isso, porque é necessário, a aprender de onde você está, tudo tem que ter um lado. O Aldo sempre disse isso "De que lado você está?" O Aldo nunca ameaçou a estar no outro lado que não fosse a classe trabalhadora, do lado dos oprimidos. Foi com o Aldo que eu aprendi a lutar contra os preconceitos, contra todo tipo de opressão aos trabalhadores. E o Aldo por alguns momentos abandonou São Bernardo e foi pregar essa forma de fazer política com coerência no interior, nós estamos no 4º mandato em Hortolândia, mas felizmente fomos educados na política pelo Aldo. Com grande contribuição do companheiro Chicão, grande militante, lá em Hortolândia, das causas dos que mais precisam, mas se nós atuamos lá no movimento de moradia, no movimento da educação, dos estudantes, foi pelo aprendizado de que vale a pena fazer política quando se tem lado e quando se está do lado daquele que precisa da luta.
Para mim, Aldo, estar aqui, apesar da tristeza, saber que quem luta é punido nesse país, também é uma alegria em saber que, a partir daqueles que te oprimem, aqueles que te tentam calar, nós vamos criar também uma revolta, uma insatisfação vai servir de aprendizado na luta histórica, servir para a gente aqui como motivação para continuar junto com você construindo sonhos mais libertadores, mais emancipadores, e de solidariedade aos movimentos sociais. Não poderia não estar aqui, porque toda a minha vida política você nos educou, nos preparou para enfrentar os momentos difíceis, se você está num momento difícil agora, acho que todos aqueles que você deu a mão, de uma forma ou de outra, o mínimo de coerência é vir aqui e dizer que estamos juntos, se tiver que sofrer sofremos juntos, se tiver que lutar, lutamos juntos. Obrigado pela sua história que tanto nos ensinou.

ANA VALIM - JORNALISTA E ESCRITORA
Falar do Aldo é muito fácil, como jornalista sempre o vi como notícia. Onde está o Aldo tem notícia, porque tem rebeldia, porque tem ousadia, porque tem o lado B dos acontecimentos. Eu conheci o Aldo na igreja católica e ele já era lado B. Eu querendo voar e o Aldo o cara alado, mas que não voa sozinho. Ele tem sempre uma motivação, ele tem sempre uma palavra, ele tem uma cara de taturana, mas não é tão bravo quanto parece. Então, é isso, a gente vai apoiá-lo a vida inteira, porque ele é um mestre, para mim é um mestre.

JOÃOZINHO - APEOESP
Dá até calor falar do Aldo. Sou João Carlos, sou professor de Educação Física, moro na zona leste, estou cada vez mais em São Bernardo, e é boa essa experiência porque eu aprendo com o Aldo. Eu chamo duas pessoas de mestre na militância política, uma é clavada de ironia e outra a clavada de sinceridade, com o Aldo sempre falo "O, mestre, como você está? Vamos tomar um café?" e é clavado de sinceridade. Gostei muito da citação do Marcos, porque eu observo muito o Aldo como esse cara que é cercado pela juventude. E quem é cercado da juventude nesse mundo duro da disputa política, mesmo na esquerda que a gente quer o mundo justo, fraterno, solidário, é um mundo que, às vezes, nos desumaniza, nos rouba sorriso, alegria, porque há embate?
Nós que militamos no mundo sindical, por mais que a gente queira desenhar um mundo mais justo, alegre, é muito pesado, e o Aldo traz essa leveza, mesmo sendo jovem há mais tempo que a gente. Então, essa coisa socrática que o Marcos citou, nosso Sócrates do ABC, guardando as medidas, diferenças históricas e intelectuais, acho que ele é esse exemplo. Todos as lutas justas o Aldo está, as lutas partidárias, as lutas da juventude, do movimento sindical, social, e é legal a gente poder elogiar alguém que não é da nossa corrente, nunca fui da corrente do Aldo, nunca fomos da mesma central, quando o conheci já estava saindo da CUT.
E essa admiração sincera, quando ela não é em troca de nada, é só em troca do exemplo, da generosidade, acho que é a coisa mais cara, mais rica na política, que é esse desprendimento, que está sempre cercado das pessoas mais diversas, das várias idades e das correntes. Eu sempre brigo com os caras e essa disputa toda "Ah, mas cita muito o Aldo, ele nunca estava aqui nesse espaço físico ou ideológico com a gente". Mas eu cito pelo exemplo, pela caminhada pelo histórico. Então, fica aqui a solidariedade da Escola e da Luta, da Intersindical, da APEOESP, nós nunca nos furtamos de fazer a defesa, seja o doutor Cesar Pimentel, seja o Greenhalgh, que foi indicação da própria oposição, o Paulo e de outros valorosos que não estão aqui, Serginho e outros. E o que gente pode fazer para você nesse mundo duro, agressivo, às vezes, espinhoso, é a solidariedade.

PAULO NEVES- APEOESP E TLS
Conheci o Aldo na época do PT, meados dos anos 80, o Aldo, eu, companheiro Chicão, nós travamos várias lutas, o Tonho, Elton, Sampaio, Margarida, Ângela, Angélica também. E na realidade para mim ali foi o jardim da infância das lutas sociais, dos movimentos políticos. Depois Aldo se elegeu vereador, primeiro embate que nós tivemos foi de apoio diretamente contra o PT. O Aldo foi eleito pelo PT em 88, assumiu o mandato em 89, e logo no início do mandato teve uma ocupação no Riacho Grande, e foi o pessoal do Jurubeba que ocupou um local depois passou a chamar Vila Lulaldo. E na época, o pessoal veio até à Câmara tentar falar para que o Maurício desapropriasse a área, mas ele se negou a receber o movimento, o movimento ocupou o paço, e, por conta disso, o Aldo tinha sido ameaçado de expulsão do PT em 89. E naquela oportunidade ele colocou o seguinte "Se o preço que eu tenho a pagar é a expulsão do partido, eu vou pagar o preço, vou ficar do lado no movimento".
O Aldo sempre teve essa concepção de princípio como guia. Depois teve a luta do Passe Livre e nós lotamos essa Câmara com mais de 500 estudantes, através da UMES - União Municipal dos Estudantes Secundaristas, nós aprovamos o projeto do passe livre, que na época o PT dizia que era um projeto demagógico e que muitas décadas depois várias prefeituras implementaram. Mas na época, inclusive o Aldo sofreu e teve que derrubar o veto, o Maurício vetou e a Câmara aprovou, depois o Mauricio vetou o projeto e depois a Câmara derrubou o veto que tinha sido apontado pelo Maurício, que entrou na justiça para não cumprir a lei. Então, vejam que é uma sequência de lutas sociais na área de habitação e defesa dos despossuídos, é uma sequência encabeçando a luta e ajudando nas lutas dos movimentos sociais, ao lado do sindical, ao lado da APOESP.
Eu lembro das batalhas que nós travamos aqui numa greve contra o Fleury, tem até uma foto histórica em que o Aldo está praticamente quase sendo engolido por um cachorro pastor alemão da tropa de choque. Depois teve aquela greve de 2000 quando a tropa de choque nos encurralou na Paulista e jogaram bomba de gás lacrimogênio e bala de borracha nos professores, e depois no dia seguinte teve o episódio com o Covas aqui em São Bernardo, que triste memória. Mas o Aldo sempre esteve do lado, incentivando, e enfrentando os poderosos nesse país.
Essa questão da ocupação Santo Dias foi uma questão pedagógica, porque concretamente foi uma atitude corajosa, correta que o companheiro tomou, e essa punição é uma punição que a burguesia desse país tenta apontar, encaminhando para a conclusão. Ontem eu participei de uma aula magna na Câmara Municipal de São Paulo, que foi proferida pela professora Maria Lucia Fattorelli, onde ela colocava alguns elementos que o Brasil foi sequestrado por uma carta de banqueiros. Só para você ter uma ideia, há no Brasil, hoje, 320 mil empresários que recebem mais de 300 salários mínimos e não pagam nenhum imposto, vocês sabiam disso? No Brasil os banqueiros, as sobras dos empréstimos consignados, quando chega no final do ano, eles depositam no Banco Central e exigem que seja pago o chamado empréstimo remunerado de forma voluntária, e o Banco Central tem que pagar para esses banqueiros.
Nos últimos 10 anos, o Banco Central gostou quase 800 bilhões de reais nessa operação ilegal, que não existe previsão legal para fazer esse tipo de alteração. E é esse tipo de roubalheira total do saqueamento do estado brasileiro que eles querem manter. E é por isso que eles estão punindo os lutadores, companheiros como o Aldo e outras centenas de lutadores desse país têm sido punidos rigorosamente. Exatamente para não questionar esse sistema, que eles querem manter submetendo milhões de brasileiros na miséria, a morar nas piores condições, a amargarem o desemprego que hoje atinge 60 milhões de trabalhadores desempregados ou subempregados e com empregos precários nesse país, que foi uma política deliberada a partir de 2015.
Nós vamos continuar nessa campanha, fazer vários atos, mexeu com o companheiro Aldo, mexeu com todos nós. A juventude uma vez aqui falava o seguinte "O professor é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo". O companheiro Aldo é nosso amigo, mexeu com ele mexeu com todos nós, se precisar vamos fazer vaquinha para garantir o salário do companheiro e não por isso que o companheiro vai passar privação ou vai passar necessidade. Nós vamos à luta e pode contar conosco, companheiro. 

CHININHA - MILITANTE DA IGREJA CATÓLICA
O Aldo conquistou nosso coração em 1974. Lá em 74 que a gente começou a participar junto do movimento e o Aldo sempre foi esse sujeito aí, querendo discutir as coisas e perguntando o porquê das coisas e questionando a razão de ser de certas coisas. Quando ela falou que eu ia falar aqui, lembrei de uma passagem de Dom Hélder, que ele dizia assim "Quando eu dou pão ao pobre, sou um santo, mas quando eu pergunto a razão da pobreza eu sou um comunista." É essa a passagem, quando ele faz essas perguntas, a sociedade o chama de comunista, o isola. Mas, esse é o Aldo, ele passou a vida inteira, desde que conheci o Aldo lá atrás, e toda a família dele, ele é esse questionador, esse que quer ir a fundo nas relações. E quem faz esse caminho, a sociedade cobra um preço, porque esse sistema que a gente vive, esse sistema capitalista, ele transforma tudo em mercadoria. Então, quem vive questionando que a vida não é mercadoria é um confronto a esse sistema maluco que a gente vive, e o Aldo é esse sujeito.


CARMELICE - DIRETORA DE ESCOLA
Gente, eu estou aqui representando a educação, e eu quero dizer, assim, 30 anos na educação, já vivi de tudo, fui perseguida também, eu acho isso uma injustiça muito grande o que está sendo feito. Temos que lutar contra isso mesmo, porque quem está do lado da verdade sempre tem aquele que quer destruir todo um trabalho. Estamos com você Aldo, é um carinho muito grande que todos têm por ele e estamos juntos.

SUELI - SOCIALISMO OU BARBÁRIE
Eu estava falando ali que eu queria uma fala mais política, pensando na questão do Aldo, mas não tem como a gente não falar um pouco da nossa história. Eu comecei a militar há 25 anos, no Movimento Secundarista, num grupo chamado Ação Estudantil e praticamente no gabinete do vereador Aldo Santos. Então, a gente sabe do apoio que o Aldo nos deu naquela luta secundarista, pelo passe livre aqui na cidade, e o quanto o mandato do Aldo era muito importante para nós que estávamos na luta naquele momento. Anos depois eu fui ser funcionária da subsede da APEOESP, acompanhei diariamente durante três anos também a militância do Aldo. Então, acho importante dizer isso, que quando hoje estão atacando o lutador Aldo Santos, atacam também a nossa luta, a nossa história na cidade, a luta de tanta gente que esteve ao lado do Aldo neste período.
Então, agora como militante do Socialismo ou Barbárie, dizer Aldo que nós estamos do seu lado, vamos lutar com você e contra mais esse ataque. Nós sabemos que esse sistema vai continuar atacando os lutadores, nós perdemos a nossa companheira Marielle, nós temos pelo país muitos lutadores que estão sendo atacados e o Aldo é mais um deles. Então, nós estamos juntos, não vamos deixar que isso aconteça, todo o nosso apoio Aldo.

ELIANE - COORDENAÇÃO DA SUBSEDE SUMARÉ
Acho que todo mundo aqui tem uma história com o Aldo, a gente lá não é diferente. Sou professora da rede estadual, diretora da APEOESP também, comecei minha militância na APEOESP em 2001. E o Aldo foi um dos sujeitos mais importantes para nossa subsede, hoje é uma das subsedes de oposição mais atuante do interior. Ele deu vários exemplos, qualificou muito os debates na subsede, elevou o nível da discussão. Conseguiu que a gente mantivesse por esses 18 anos uma atuação que hoje orgulha muitos professores daquela região. Assim, a gente está feliz a certo modo de ter esse número de pessoas hoje aqui por um bem comum, porque quando ataca um lutador, ataca todos os lutadores. Ao mesmo tempo, a gente não pode perder a nossa capacidade de nos indignar diante das barbáries que estão sendo feitas com nossos trabalhadores e trabalhadoras e com todo o povo do Brasil.
Acho que esse é um momento muito duro, momento muito difícil, mas eu sempre digo que são nas lutas que a gente se reconhece e hoje a gente se reconhece aqui numa luta muito importante, de extrema necessidade que a gente está aqui hoje. E dizer ao Aldo que a gente está de novo junto, ombro a ombro, para trazer nossa solidariedade de Sumaré, Hortolândia, todos os professores e lutadores de lá. Aldo, estamos sempre presentes.

IVANILDO - ASSOCIAÇÃO OESTE E APEOESP
Venho como representante da APEOESP Diadema e do Movimento de Moradia Associação Oeste, também somos DE uma organização pela construção do Partido Operário, estamos aí na luta há algum tempo. Venho prestar a solidariedade em nome de meus companheiros ao Aldo, é uma luta reconhecida, que outros lutadores como Tonhão, Toni em Diadema já passaram. Enfim, é um repeteco do que acontece contra os defensores dos oprimidos. A gente encara esse momento da seguinte forma, em primeiro lugar, em virtude de tudo que passamos nunca recuar, acho que o companheiro aqui é um exemplo, a gente vive um momento de contra-ataque da grande burguesia, de contra-ataque do grande capital financeiro, estão como aves de rapina para retirar e retomar os direitos dos trabalhadores que foram conquistados à míngua, por isso a gente não pode recuar.
Trata-se de um governo com fortes tendências fascistas, basta observar os atos do cotidiano, apesar de parecerem idiotas, uma coisa é o lado pessoal do presidente, outra coisa é o caráter de governo, do estado, de como eles querem conduzir o estado. Então, o governo que aplaca os direitos do povo oprimido, mas, ao mesmo tempo, reforça o estado cada vez mais opressor. É um estado que é diminuído, aplacado quanto ao atendimento à população, aos serviços básicos, que terceiriza, privatiza, mas é um estado que vai se armando, que vai se ideologizando material e ideias para oprimir o povo trabalhador. É isso, Aldo, muito obrigado.

LEO - MEMBRO DO CONSELHO TUTELAR
Fui acampado na ocupação Santo Dias, na verdade a gente trabalhou fazendo trabalho de base dois anos antes da ocupação, fiquei lá do primeiro ao último dia. Quando eu convidei meu filho para vir hoje, o João, que hoje tem 17 anos, ele falou "Quem é Aldo Santos, pai?" Eu falei "Aldo Santos foi um dos vereadores que defendeu os direitos de a gente continuar morando no lugar que nós ocupamos, quando você tinha apenas três meses de idade". Hoje ele já está com 17 anos e tem acompanhado algumas lutas que a gente tem travado aqui no município. É até emocionante falar daquele processo de ocupação e do apoio que o Aldo Santos nos deu, porque a ocupação é uma forma de denunciar o déficit em moradia, ninguém quer morar embaixo de uma lona preta, ninguém quer morar numa área de risco, as pessoas lutam para ficarem bem, morarem bem. E o que nós estávamos fazendo e o Aldo reconheceu isso, era exatamente denunciar que a cidade tinha um déficit muito grande de habitação e muitas pessoas estavam morando em situação de risco, isso em 2003.
Acontece a reintegração de posse, sem observar que essas famílias tinham que ser encaminhadas para outro espaço e não aquele terreno, algumas pessoas continuaram, ficaram acampados aqui no paço, depois na praça da matriz, na APEOESP, depois foram para a quadra do Gaviões da Fiel, depois para o Brás, num galpão, enfim. Mas a grande maioria das pessoas voltou para a área de risco, para cima dos morros.
Em 2005, com as fortes chuvas que aconteceram em São Bernardo, essas famílias foram vitimizadas, 12 pessoas foram assassinadas pela justiça quando determinou que aquela área fosse reintegrada e não deu nenhum indicativo que as famílias precisavam ir para um lugar de proteção. Então, a justiça, de forma indireta, acaba por vitimizar e ceifar a vida de 12 pessoas, sendo sete crianças, lá na região do Silvina. Então, a irresponsabilidade que as pessoas têm tratado, por exemplo, o processo de acusação do Aldo, nos motiva a nos mobilizar para lutar contra as injustiças.
E aí, sei muito bem o que o Aldo deve estar sentindo, não nesse momento que ele se sente acolhido, vendo tantas pessoas importantes no processo de luta, se sente gratificado e tal. Mas na maior parte da nossa história a gente se sente meio inconformado, meio indignado com esse tipo de situação, e eu sei exatamente isso, porque nós estamos vivenciando o processo de escolha no conselho tutelar, e estão tentando também me tirar o direito de concorrer. E nós não podemos permitir que esse processo impeça o nosso companheiro Aldo Santos de ser candidato a prefeito e ser eleito a prefeito de São Bernardo do Campo, porque ele foi um bom vereador, um ótimo vereador e com certeza será um grande prefeito em São Bernardo.

MELÃO MONTEIRO - EX-VEREADOR/SBC
Não poderia deixar de estar presente nessa manifestação. Aceitar passivamente esse tipo de condenação é aceitar a condenação de todos nós que participamos dos movimentos sociais, é aceitar a condenação dos próprios movimentos sociais. E o momento em que nós estamos vivendo é momento de grande disputa social também. Então, assim, não podemos soltar a mão de ninguém e ter claro, Aldo, essa condenação não é sua, é de todos nós.
Nesse momento também, Guilherme Boulos, por exemplo, que foi nosso candidato a presidente do PSOL, está lá com trocentos processos judiciais, ou seja, se a gente permitir, tudo quanto é ato vai ser judicializado, não vão ser mais as disputas políticas ideológicas, mas vai ser a judicialização, principalmente das lideranças mais importantes desse país, e o resultado disso com certeza nós já sabemos qual será. Que será a nossa condenação, vide as regras que estão sendo impostas nesse Brasil, é só olhar o projeto de justiça que o nosso Ministro da Justiça está apresentando, as vítimas nós já sabemos quem serão.
Não podemos permitir que esse tipo de coisa aconteça. Então, nossa solidariedade é do núcleo PSOL de São Bernardo, mas também da nossa corrente, que em breve terá nova nomenclatura Ação Popular e Socialista, gostaria que a Rosa que apresentou essa monção no nosso encontro estadual pudesse estar trazendo aqui. E o nosso lema é esse mesmo "Ninguém solta a mão de ninguém" e vamos para cima deles, dia 14 de julho greve geral, não vamos dar mole não, está certo? E vamos lutar para tirar essas amarras que estão bloqueando suas contas, teu direito de cidadania às duras penas conquistadas. Queria chamar a Rosa aqui, que é a nossa coordenadora do grupo, coordenadora da corrente.

ROSA - AÇÃO POPULAR E SOCIALISTA
Teria muita coisa para falar da nossa história, da própria ocupação, de quanto a gente acompanhou, mas vou me restringir a apresentar a moção feita pela APS, moção de apoio ao companheiro Aldo Santos de repúdio à sua condenação injusta: “Nós militantes da APS São Paulo e companheiros e companheiras que participam do processo de construção da nova tendência do PSOL, vimos manifestar total apoio ao Aldo Santos, importante militante do PSOL e incansável lutador contra as injustiças sociais.
Aldo Santos é professor aposentado da rede pública e ex-vereador de São Bernardo do Campo. Durante toda sua trajetória política posicionou-se sempre, sem medir esforços, ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras, em 2003, mais uma vez do lado certo da história colocou seu mandato de vereador a serviço das mulheres e homens que lutavam por direito constitucional à moradia durante a ocupação Santo Dias, realizada pelo MTST em São Bernardo. Por isso, tem sido dura e injustamente perseguido, sua condenação além de injusta é uma grande demonstração de perseguição política aos movimentos sociais e aos lutadores e lutadoras que se colocam ao lado do povo e contra as mazelas do grande capital. Por esses motivos, manifestamos também nosso repúdio à condenação do companheiro Aldo Santos”. Então, em nome da APS São Paulo, trago aqui a nossa moção e apoio total.

ANDRÉ RODRIGUES - INTERSINDICAL GUARULHOS
Não dá nem para explicar o sentimento que a gente presencia aqui, porque a gente tem um enfrentamento, que já é habitual com os governos, mas de tempos para cá esse enfrentamento nos colocou novos desafios. A perseguição aos movimentos, que é uma constante nesse país se intensificou, esse novo governo, o governo Bolsonaro tem intensificado esses ataques, essa perseguição, o governo Dória, enfim. A gente se vê num limite que, por mais que a gente apresente e identifique diferenças, nos coloca o único exercício, que é da unidade, da solidariedade, das mãos dadas como foi dito, ninguém vai soltar a mão de ninguém. Sou muito sensível a esse debate porque naquele momento do acampamento aqui em São Bernardo, nós nos enfrentávamos em Guarulhos também como uma das maiores ocupações que o MTST teve na sua história, na sua construção, que foi o da Anita Garibaldi.
Queria registrar aqui que somos solidários ao companheiro Aldo, mas somos solidários também à companheira Camila, que responde o mesmo processo, que enfrenta a mesma dificuldade, uma companheira que participou ativamente na direção do MTST, e claro, o companheiro Aldo que cumpriu uma tarefa naquele momento de parlamentar, que colocou o seu mandato, que tem isso na sua história. Esse é motivo de orgulho para qualquer lutador, de colocar seu mandato à disposição da luta, de colocar seu mandato à disposição dos lutadores e das lutadoras. E a gente tem esse desafio de enfrentar a justiça burguesa nos perseguindo, condenando companheiro, condenando a companheira, com uma única intenção que é nos calar, e isso, dessa trajetória toda por mais difícil que seja, o companheiro nos deixou um belo exemplo aqui que é de nunca ter se calado, que é de nunca ter se acuado.
O companheiro perdeu seu mandato, as urnas não foram tão generosas com a esquerda nos últimos anos, mas a gente está aqui se organizando, sem nos calar, ao lado ombro a ombro, de mãos dadas indo para cima dessa lógica burguesa que tenta nos oprimir, que tenta nos calar. Lá em Guarulhos nesse momento está tendo uma plenária da Povo Sem Medo, a gente está pautando isso lá também, foi colocado na coordenação, a gente quer ampliar essa campanha que tem que ser em defesa de cada lutador, em defesa de cada revolucionário, em defesa de cada um, de cada indivíduo que luta por aquilo que foi dito aqui, do direito mais básico que é a moradia. O companheiro nos disse aqui, ninguém quer morar em lona preta, a gente que ter moradia digna, a gente quer um teto, a gente quer dormir, a gente quer ficar sossegado, criar família, levantar de manhã cedo e trabalhar, e o estado a cada dia nos tira esse direito mais elementar, nós não vamos aceitar isso.
Vamos estar aqui todo mundo junto, quero saudar aqui o companheiro Aldo, a companheira Lúcia, que está cumprindo uma tarefa junto com a gente, os companheiros de outras correntes que estão aqui. Porque um detalhe importante eu gostaria de destacar é que naquele momento em 2003, início do governo Lula, a luta nos colocava em posições distintas, cada um aqui militava em uma corrente, e o mais interessante dessa história é que a luta nos trouxe para o mesmo lugar, a luta nos mostrou que a gente tem que estar do mesmo lado, independente das correntes ou das siglas partidárias.
Cada lutador, cada indivíduo que tem um sentimento progressista, que tem o seu ideal de sociedade justa, tem que estar aqui junto com a gente. Fico feliz de estar aqui participando dessa luta, mas muito triste e solidário também aos ataques que está sendo feito aos companheiros. Nós não vamos recuar nenhum milímetro, vamos juntos, boa sorte, Aldo, estamos juntos e daqui para frente não vamos recuar. Vamos para cima e o que a gente puder ajudar as nossas estruturas, as nossas subsedes a gente vai colocar à disposição dessa luta.

ALDO SANTOS
Primeiro quero agradecer a presença de todos aqui, agradecer a presença das figuras importantes, todos são importantes, mas a figura que nesse movimento estivemos ombro a ombro, que foi o Melão. Melão foi uma figura fantástica nessa ocupação e também sabe muito bem do que acontecia nos bastidores, do que acontecia na macro política geral. Muitas vezes, trocamos figurinhas, conversamos e sofremos muito, na ocasião, por conta do partido que estávamos. Por conta da possibilidade de se resolver um problema, mas que não tiveram vontade política para resolver, isso foi uma amargura para a gente na ocasião. Agradecer à Lúcia e à Soninha, que, assim como demais pessoas, têm tido papel fundamental na divulgação, na visibilidade dessas nossas atividades aqui. São duas companheiras que estão na APROFFESP, além do Chico Gretter, não vou falar nome para não incorrer no erro de não incluir pessoas, porque nossa política é de inclusão, não exclusão.
Mas, essas pessoas têm contribuído fortemente nesse compromisso. Às vezes, a gente vê um ato como esse, mas não sabe a dificuldade que dá para poder convencer pessoas, dialogar com as pessoas para estarem aqui presentes nessa atividade. Quero agradecer também, o Chicão, que é meu irmão, o Cleonaldo, que é também meu irmão, quero agradecer a meus filhos, agradecer minha filha, as duas netas lindas, a Lis é a mais recente, que chegou aí no campo da família e está aqui nos dando a honra da presença dela também. Ela vai tirar uma foto histórica, para dizer daqui 20, 30 ou 40 anos, para dizer "Estava lá na atividade do meu avô". É história, a história é assim. A Gi, assim, está todo mundo aqui presente. Agradecer aos amigos, aos companheiros que, na ocasião, trabalharam comigo na assessoria, não foi uma luta só do vereador, mas luta coletiva.
Quero registrar também o papel importante da companheira Angélica e da companheira Ângela, que tiveram junto aos movimentos sociais e às ocupações daquele momento. A Angélica, quem pegar aquele livro da Lulaldo vê lá a Angélica junto com os moradores, medindo o terreno, não sei se ela gosta daquela foto hoje, mas tenho orgulho daquela foto porque registrou um momento histórico e que ela estava lá, foi medido terreno por terreno. A Angélica que é a companheira do Chicão, que na época era subprefeito do Riacho Grande. Ele perdeu o cargo de subprefeito, porque entre ficar do lado dos moradores da ocupação da Lulaldo ou ficar com o cargo que ganhava muito bem, ele não teve dúvida de tomar partido e depois ficar desempregado. Então, eu acho que é um pouco do DNA da família essa luta aguerrida. Antes de continuar, quero pedir para o Chicão, que hoje mora em Hortolândia, é um empresário, tem uma vida, digamos assim, de certa forma, resolvida do ponto de vista econômico, mas tem uma solidariedade de classe, um compromisso, continua filiado ao PSOL, e é um companheiro que também fez história na cidade nessa ocupação da Lulaldo e na luta do Passe Livre. Então, queria que o Chicão, em nome da família e dos companheiros que estão aqui, pudesse também fazer uma saudação.


CHICÃO
Primeiro, quero dizer que esses atos são, pedindo licença à juventude, muito bons porque a gente encontra uns velhos aqui, pessoas que faz tempo que a gente não se vê. Gente da velha guarda, que também tem uma história interessante. Nós tivemos experiências enormes com o movimento e aqui tem gente que foi testemunha disso. A nossa experiência é interessante e o que eu mais gosto é porque ela conseguiu atrair camaradas, ela conseguiu atrair gente da igreja, é muito gratificante encontrar um velho companheiro como o Chininha, com quem atuamos há 40 anos.
Claro que os tempos mudaram e hoje nós estamos numa situação muito adversa, eu vejo companheiros aqui como o Uelton que já está com barba branca, gente que era jovem, e já fazíamos esse embate muito duro aqui. Me orgulha muito vir aqui, quero dizer uma coisa muito importante para vocês, aqui não tem sacanagem não, aqui nessa cidade tem alguns nomes que precisam ser respeitados, que passaram aqui, há centenas e centenas aqui nessa cidade, mas tem alguns que deveras precisam ser respeitados com toda a força. Gente como Alberto Souza, gente como Melão, gente como o companheiro Wagner Lino que faleceu, o companheiro Aldo, que não tem um dia de luta, que não tem uma luta no movimento, tem uma vida inteira, que abdicou de ver seus filhos crescerem, como eu. A nossa solidariedade não é qualquer uma, não é por puxa-saco, a gente vem aqui porque são gente séria, que tem compromisso com uma história mais limpa e pura, que é um compromisso com os despossuídos, com os que menos têm, com aqueles que precisam se organizar para fazer a mudança transformadora que nós precisamos.

ALDO SANTOS
Agradeço ao Chicão, que continua sendo uma pessoa com uma consciência política absolutamente limpa. E quero também agradecer às notas dos companheiros que nos têm chegado: a nota da APS; uma saudação do companheiro Vicentinho pelo WhatsApp; os companheiros do PSTU, que fizeram uma moção e foi entregue para gente, foi lida no último RE; os companheiros do Socialismo ou Barbárie, que também fizeram uma moção e foi distribuída; os companheiros da corrente que eu faço parte, a TLS, que também fizeram importante manifestação; os companheiros da Intersindical Nacional fizeram uma importante manifestação, moção de apoio; os companheiros do MTST Nacional que fizeram uma moção de apoio à essa luta; os companheiros do PSOL, tenho recebido vários apoios como o Melão mencionou e de outros partidos aqui do centro, inclusive o nosso presidente, o Tolentino, já tem feito menção a isso; o companheiro Giannazi, que se manifestou publicamente, no plenário da Assembleia Legislativa, quando estivemos lá, em defesa e combatendo e criticando essa situação; os companheiros da APROFFIB e da APROFFESP, que fizeram, através da contribuição do Chico e de outros, uma significativa nota de manifestação de apoio. Portanto, tem chegado apoio de vários lugares e de várias formas, dezenas de subsedes da APEOESP, o RE, o Conselho Estadual de Representantes da APEOESP.
Então, tem vindo manifestação porque é um pouco aquilo que o Melão disse de que não é uma condenação nominal, é uma condenação a um projeto político, que se contrapõe à lógica neoliberal. É um debate muito mais amplo, as pessoas pensam, muitas vezes, que é um debate localizado, é um vitimismo, mas não se trata disso. Nós precisamos reagir à lógica desses governantes que não veem no pobre o elemento central de transformação, de mudança e de condições de igualdade a ser assegurada. Nós vivemos hoje num país onde você tem quase 40 milhões de pessoas entre desempregados, pessoas que desistiram de procurar emprego e que estão à margem da sociedade. E essas pessoas não têm interlocução, não têm voz, muitas vezes porque não estão absolutamente organizadas, no sentido amplo da palavra.
Então, é fundamental que uma atividade como essa não se torne um fim em si mesma, de que cada um aqui, para além do que falou e para além do que escutou, também tenha responsabilidade nesse processo político. Nós estamos falando para nós mesmos? Estamos falando para nós mesmos, estamos falando para não desistirmos, não declinar da luta. Porque quando eles punem alguém, eles querem, com isso, gerar um tipo de medo nas pessoas, de preocupação nas pessoas. Eles prenderam o Lula, imagina o que vão fazer comigo, prenderam não sei mais quem, imagina o que vai acontecer comigo. Estava conversando com a Maria Irene, a possibilidade inclusive que pode chegar à prisão o nosso caso, pois tem elemento jurídico para isso.
Então, imagine um militante que está começando agora, companheiro do Movimento Estudantil Livre fala "Poxa, você está doido, você acha que eu vou entrar num trem desse. Você acha que vou me aproximar desse cara, desse grupo, que vou me aproximar dessa luta, desse partido?". Não vai. Mas aí nós estamos dizendo a vocês o seguinte, é um pouco que o Chicão disse, aqui não tem recuo, aqui não tem passo atrás, e não é de hoje não. Quando tiraram meu salário na época em que eu trabalhava no Mandaqui, na zona Norte, ganhava um salário mínimo por mês, eu fui brigar para que tivesse comida para os funcionários, o administrador me chamou "Aldo, vem cá, vamos conversar. Vamos combinar o seguinte, você chega do serviço vem aqui, vai comer com a gente lá na cozinha, cara." Eu falei "Cara, você é generoso, mas não é isso que estou pedindo. Eu estou pedindo que tem que ter comida para todo mundo." Aí os caras já viraram a cara.
Denunciei que estava chovendo na cama dos pacientes, era hospital de tuberculose, aonde estava a escória da sociedade entre aspas, chovia sobre a cama dos pacientes. Chamei a Folha de São Paulo na ocasião, em plena ditadura militar, vai lá um jornalista fantástico e faz uma puta reportagem, no outro dia sai na Folha de São Paulo escancarado, aí eu me lasquei todinho. Aí estava surgindo o PT, o PT manda o Luiz Eduardo Greenhalgh para me ajudar. Há poucos dias, a Maria Irene falou para mim "Pai, será que tudo será no início. Como no início será o fim?" Eu falei "Não tem fim ainda não."  Não tem fim, por enquanto não, porque o Greenhalgh me defende no começo e agora o Greenhalgh é colocado à disposição também nessa luta. Ou seja, 30 dias afastado, sem salário, numa miséria desgraçada, recém casado, com filho pequeno, Jardel tinha nascido, mas também não arredemos o pé, porque nossa luta era justa. Não é justo chover sobre a cama de pessoas que estão internadas, doentes, não é justo. Aí, estava em casa, a companheira na época e a família falavam "Esse cara é louco". Aí no dia do pagamento, chegaram lá uns companheiros que eu tive a honra de essa semana encontrar, o Jurandir na zona Norte (nós vamos fazer o encontro dos ex- trabalhadores do Mandaqui, 80% já morreu, mas os vivos vão se encontrar, vamos nos encontrar). Então, chegou o pessoal lá com o envelopezinho "Está aqui seu salário, que nós fizemos uma vaquinha no Mandaqui e eles não vão deixar você passar fome."
Você quer coisa mais gratificante do que essa, um reconhecimento desse, isso não é apenas um reconhecimento, isso é um oxigênio, estímulo para a luta, porque eles reconheceram naquele ato que não foi fácil. Eu me lembro da Silvani, a professora aqui de São Bernardo, que nós fomos protestar, em plena ditadura militar, na Secretaria Estadual de Saúde, ao lado do Hospital Emílio Ribas, lotando aquilo lá. Porque os caras estavam me perseguindo, me deram outro gancho, aí voltei e me afastaram do Mandaqui e fui trabalhar no Centro de Saúde com seis pessoas, o Mandaqui tinha mil pessoas e me transferiram compulsoriamente sem pedir. Ou seja, "Esse cara não pode ficar no meio do povo porque ele vai dar trabalho." Mas, mesmo assim, com seis pessoas fizemos agito lá com o pessoal, faltou vacina e eu chamei as mães e conversamos "Vamos lutar, que tal?".
Por que eu estou dizendo isso? Eu não quero cansar muito vocês, porque fazer discurso grande a gente sabe, mas não é o necessário. Mas eu sou um cara realizado, mesmo cearense que foi expulso da sua terra natal, que veio no pau-de-arara para cá com a família grande. Eu sou um cara realizado porque eu não negociei, não deixei de lado aquilo que aprendi com minha mãe e meu pai: que é ser honesto e lutar pela vida. Aprendi com eles, não aprendi com Karl Marx, o Karl Marx me aperfeiçoou, os outros me aperfeiçoaram, eu aprendi com eles que a vida vai modelando a gente, mas a gente não pode perder a origem da nossa vida. E minha vida inteira foi assim, a vida da minha família inteira foi assim, na base da labuta, sem ficar com medo do que vai acontecer. Com a devida responsabilidade, a gente tem sempre feito o que tem que ser feito.
O velho Plínio, uma vez eu tive um encontro com o PSOL, ele começou conversar e disse para todo mundo "Olha, não tem nada pior do que a pneumonia sem febre." E eu fiquei pensando, eu trabalhei 11 anos em hospital, eu sou auxiliar de enfermagem, fiquei pensando, de fato a pneumonia sem febre é porque o anticorpo não reage, não resiste e você vai definhando. O que eles querem é definhar a gente e não há sentimento mais difícil do que choro sem lágrima, tanto a pneumonia sem febre e o choro sem lágrima.
Às vezes, eu tenho chorado e não tem nem lágrima, porque praticamente secaram, mas aí choro sozinho porque a condição da vida é assim, não tenho solidão porque eu procuro nos meus amigos, nos meus companheiros militantes eu procuro sair da solidão, sair desse processo. Porque a depressão é quando você não tem com quem compartilhar as coisas, aí você tem que amargurar sozinho. Mas não é fácil, não é fácil você ser punido por uma coisa que você tem certeza que é sacanagem, justiça desses mandatários do poder, não é fácil.
Eu tenho passado por esses momentos difíceis, não é fácil, eu não compartilho com as pessoas, eu estou um pouco igual aquele elefante velho que chega a uma certa idade e vai se afastando da manada para poder ir organizando sua vida, poder ir aceitando as regras que a vida nos impõe, aceitando a regra da finitude. Mas, eu entendo que a nossa vida, sem o caráter necessariamente espiritual, está para além desse processo que é finitude mas está nesse processo histórico que eu acredito.
Não está sendo fácil, mas eu tenho convicção de que nós estamos certos, nós não estamos cometendo nenhuma ilicitude. Se alguém perguntar "Aldo, se você tivesse que fazer, repetir seu mandato, sua história de vida, as lutas na saúde, as lutas do Passe Livre em São Bernardo do Campo, se chocando com o Maurício e com o próprio PT, se você tivesse que voltar na luta do movimento negro para que a gente tivesse na cidade o feriado municipal, para que a gente tivesse na cidade não mais a comemoração da princesa Isabel, como era até então... Se você tivesse que continuar na luta sindical lá dos trabalhadores, muito mais apanhando do que batendo, na luta da habitação?" Eu diria a vocês, eu continuaria tudo de novo, começaria tudo de novo.
E vocês que estão aqui façam a parte de vocês, estou fazendo a minha parte, o coletivo nosso faz a nossa parte, o Melão fez a parte dele, o Chicão faz a parte dele, o Jorge faz a parte dele, o Joãozinho faz, o André faz, a Lúcia está fazendo, todos, o Serginho, todos os companheiros aqui, a juventude. Mas, nós temos, companheiros, o mundo a construir pela frente, porque enquanto existir trabalhador de cabeça baixa, que não tem muitas vezes o que cozinhar, e o dinheiro para procurar emprego... Enquanto existir uma sociedade opressora, aonde as pessoas não têm liberdade de se expressar como querem e como devem, uma sociedade aonde o feminicídio ataca covardemente as companheiras, matam as companheiras, nós não temos nenhum motivo para silenciar.
Muito pelo contrário, eu sonho com a destruição desse sistema capitalista, eu sonho de que um dia nós vamos conseguir, mesmo que eu não alcance, ou mesmo que não alcancemos, mas nós vamos um dia conseguir uma sociedade livre, uma sociedade justa, uma sociedade igualitária, aonde todos terão as condições e a oportunidade de ser o que são, mas nós não teremos a defasagem e o abismo social que nós vivemos na sociedade capitalista. É um sonho, um sonho que nós temos que sonhar, mas sonhar andando, não é sonhar parado, sonhar de mão estendida como nós fazemos com a juventude.
A juventude aqui vem estudar gratuitamente graças aos professores, vem estudar e alguns companheiros ainda não podem pagar passagem e nós estamos organizando uma feijoada para sábado que vem, porque esse dinheiro vai ser para ajudar a pagar a passagem daquele aluno que não tem condição para ele não parar de estudar. Porque não existe socialismo de mão retida, só existe socialismo de mão estendida. Porque eu sei da minha juventude, como era duro você pedir uma oportunidade e não ter muitas vezes uma mão estendida para te ajudar, eu sei que não é fácil.
E é esse o nosso projeto de construir o nosso país, de formar nesse país não só militantes que pensem em eleição de quatro em quatro anos, ou de dois em dois. Estou condenado a cinco anos a não participar das eleições, mas vou ajudar todos companheiros que tiverem se candidatando para poder, de fato, eles se candidatarem. Porque não é um projeto pessoal.
E se os governantes, o Supremo Tribunal acham que vão me calar porque me condenou a cinco anos, não vão me calar. Se acham que vão me calar tirando o meu salário, não vão me calar, porque sei que tenho pessoas solidárias e se eu falar "Gente, eu estou sem dinheiro para comprar ração para a cachorra." Eu sei que tem gente que vai chegar com a ração e vai me ajudar. O próprio sindicato que eu participo, sendo majoritariamente da articulação, é bem certo que se confiscarem o salário, vai repor meu salário para que eu não passe necessidade.
E se eles acham que vão me calar porque vão levar meu carro velho, que vale 5 ou 6 mil reais, mas foi comprado com dignidade, sem maracutaia, sem Lava Jato, foi comprado com dignidade. Não vão me calar, vou arrumar um jeito de andar, mesmo que eu tenha que reaprender o patins, bicicleta, vai ser difícil, mas não vão me impedir de andar. Se eles acham que vão me calar porque dizem que vão colocar a casa a leilão, quando eu morrer, não vou levar nenhuma casa para o enterro, muito menos para a gaveta, nenhuma casa, nenhuma. Se eles acham que vão me calar por conta de uma multa de 650 mil reais, que mesmo que eu tivesse outra vida, eu não conseguiria pagar, também não vão me calar.
Não vão me calar e não vão nos calar. Porque todos nós aqui temos consciência de classe, mas também nós temos muito ódio de classe, porque é inconcebível uma pessoa ter tudo, é inconcebível mil famílias terem tudo e a grande maioria viver na miséria absoluta. As pessoas não têm o que comer, a criança não tem leite para tomar, as pessoas não têm escola, até o SUS querem acabar.
Então, gente, quero agradecer vocês, dizer que isso daqui é um momento importante, mas não é único, dia 18 nós teremos um outro ato lá na Assembleia Legislativa de São Paulo, e no dia 29 nós vamos ter outro ato, outra atividade para pensar os próximos passos. Porque se essa revolta serviu para reunir essas pessoas, então nós vamos usar essa revolta para organizar ainda mais as pessoas, ainda mais o partido, ainda mais os sem teto, ainda mais os estudantes, ainda mais os filósofos, ainda mais os sem terra. Semana passada me chamaram para participar da nova categoria dos sem salário.
Então, eu quero dizer para vocês, que estou muito contente, viu Valim, muito contente, sua fala foi brilhante "O Aldo é alado, mas não voa sozinho." Isso é poético, isso é a fala de uma grande intelectual como a Valim e como as outras pessoas que falaram aqui, uma jornalista compromissada, não uma jornalista vendida, e além da fala de todo mundo que esteve aqui. Quero agradecer a presença de todos. Um grande abraço a todos e não tem recuo, não tem desânimo e vamos para frente. Nós temos um grande projeto para construir nesse país que é uma sociedade absolutamente antagônica com os valores da sociedade capitalista, que humilha, esmaga a classe trabalhadora. Nós temos que um dia colocar no patamar da civilização um novo projeto social e para isso é fundamental a participação do PSOL, a organização do partido político, para que a gente aponte os horizontes e lute conta esse governo, que além de incapaz não representa sequer mais aqueles que, equivocadamente, o elegeram na eleição passada. Grande abraço, até a vitória.
Transcrição das falas no primeiro ato de desagravo:  


Câmara Municipal de São Bernardo do Campo (SP.08 de junho de 2019

30/06/2019

Plenária da Comissão Solidária ao Professor Aldo Santos e Camila Alves.

Esta é a terceira atividade contra a criminalização da política, dos movimentos e lutadores sociais. Nesta Plenária discutimos os informes jurídicos do confisco salarial do mês de maio de 2019, bem como as propostas aprovadas na Audiência pública(Ato de desagravo),realizado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
Aprovamos uma moção de repúdio contra a prisão das lideranças de luta por moradia na Capital, assim como pretendemos ampliar as nossas ações solidárias com todos e todas que estão sendo vítimas da "injusta" justiça que criminaliza, condena e até mata lideranças do campo e da cidade que ousam lutar por um mundo de efetiva justiça , liberdade e igualdade de oportunidades.
Foi acordado que vamos entrar em contato com os seguimentos da Igreja Católica, particularmente no campo das lutas pelos Direitos Humanos e solicitar pareceres jurídicos de renomados advogados que atuam nesta área. Foi acatada proposta de recorrer aos tribunais internacionais, conforme fala do Deputado Estadual Carlos Giannazi e do Advogado que mencionou esta proposta na audiência Pública realizada na Assembleia legislativa de São Paulo, Dr Mauricio Canto. Combinamos de tirar cópia do inteiro teor do Processo condenatório que no momento está com a Dra. Camila Alves, para que possamos verificar eventuais erros e viabilizar acesso aos advogados do caso.
Foi também aprovado a realização de uma plenária para  debater com  pessoas que militam na área dos Direitos Humanos na capita,l para que possamos formalizar a criação do comitê contra a criminalização dos movimentos e lutadores/as sociais. Este debate deve acontecer até meados de Agosto 2019. Vamos ainda buscar apoio junto aos movimentos sindicais, sociais, pastorais, estudantis e partidários. Vamos também procurar o Dr. Luiz Eduardo Greenhalgh para as devidas orientações e encaminhamentos jurídicos.
Agradecemos as manifestações de apoio e solidariedade e vamos continuar passando abaixo-assinado, distribuindo panfletos e agendando reuniões nas cidades para denunciar esta tentativa de silenciar o movimento social e tratativas de casos sociais como demanda policial e/ou criminal.

"Toda vez que um justo grita
Um carrasco o vem calar
Quem não presta fica vivo
Quem é bom, mandam matar
Quem não presta fica vivo
Quem é bom, mandam matar
Foi trabalhar para todos
E vede o que lhe acontece
Daqueles a quem servia
Já nenhum mais o conhece
Quando a desgraça é profunda
Que amigo se compadece?
Foi trabalhar para todos
Mas, por ele, quem trabalha?
Tombado fica seu corpo
Nessa esquisita batalha
Suas ações e seu nome
Por onde a glória os espalha?
Por aqui passava um homem
(E como o povo se ria!)
Que reformava este mundo
De cima da montaria
Por aqui passava um homem
(E como o povo se ria!)
Ele na frente falava
E atrás a sorte corria
Por aqui passava um homem
(E como o povo se ria!)
Liberdade ainda que tarde
Nos prometia
Por aqui passava um homem
(E como o povo se ria!)
No entanto à sua passagem
Tudo era como alegria
Por aqui passava um homem
(E como o povo se ria!)
Liberdade ainda que tarde
Nos prometia
Toda vez que um justo grita
Um carrasco o vem calar
Quem não presta fica vivo
Quem é bom, mandam matar
Quem não presta fica vivo
Quem é bom, mandam matar".
Source: Musixmatch
Compositores: Chico Buarque de Hollanda
Comissão Solidária de apoio ao Professor Aldo Santos e Camila Alves.
SP, 29/06/2019.

Contato: WhatsApp 11- 982505385

24/06/2019

Professores, estudantes e pais de alunos criticam o Estado e buscam soluções para a educação


Boletim Informativo APEOESP-SBC
Maio/junho 2019
Boletim especial

Audiência pública na Alesp

Professores, estudantes e pais de alunos criticam o Estado e buscam soluções para a educação
“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. ”
Essa frase de Paulo Freire, patrono da Educação no Brasil, embora setores ignorantes da sociedade não o aceitem, expressa a angústia que professores, estudantes e, de modo especial, pais de crianças e adolescentes com deficiência enfrentam no dia a dia das escolas.
A educação no Brasil que já vinha capengando nos últimos anos, em 2019, está sofrendo ataques de toda ordem, em nível federal, estadual e municipal. Com ameaças de cortes no investimento, perseguição ideológica e política a professores, achatamento de salários, emburrecimento dos currículos, falta de transportes para estudantes e sucateamento das estruturas das escolas.
Diante desse cenário de desmonte do ensino, sobretudo o público, foi realizada no último dia 29 de abril passado audiência pública na Alesp – Assembleia Legislativa de São Paulo para discutir a precarização estrutural na rede estadual, manutenção dos fretados e passe livre e Educação inclusiva.
Chamada pelo deputado Carlos Giannazi (PSOL), a audiência reuniu professores, estudantes e pais de crianças e adolescentes com deficiência. A mesa, coordenada pelo professor Aldo Santos, diretor da subsede da APEOESP de São Bernardo do Campo, contou com a presença de Adelaide Manfre, da FASA (Família Autista Só Amor); Juliana Franco, da comissão de mães que pleiteiam vagas na Escola Estadual Maria Regina Demarchi Fanani; Elaine Batista, da ONG Unidos pelo Amor; Willian de Jesus Silva, membro da ABRAÇA (Associação Brasileira para Ação por Direitos da Pessoa com Autismo); dos conselheiros tutelares, Léo Duarte e Cleudiana Sousa; Marcely Sales, do Cursinho Passo à Frente da APEOESP subsede SBC; Thiago Rosa, da APROFFIB (Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Brasil) e Chico Gretter, da APROFFESP (Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Estado de São Paulo).


Sem papel, sem quadra, sem direitos...
O sucateamento das escolas públicas do Estado de São Paulo é uma realidade, disse Aldo Santos, “nos deparamos até com a falta de papel higiênico para professores e alunos”, conforme denúncia feita no sindicato. Se quiserem tomar um cafezinho no intervalo os professores são obrigados a fazer vaquinha para comprar café e açúcar. Além de escolas de lata, há falta de quadras, vidros nas janelas, desvalorização profissional e baixos salários. Os professores enfrentam a demora para conseguir a aposentadoria de direito, os readaptados recebem tratamento diferenciado dentro das escolas e, muitas vezes, são tratados com desrespeito por peritos, como é o caso de Diadema; muitos têm suas licenças negadas e descontos no pagamento, sem falar da falta de medicamentos para os que precisam.
“Fiquei muito contente quando as mães me procuraram em São Bernardo para discutir o problema das escolas, porque é exatamente isso que precisa. Quando entendermos que a escola pública é nossa e temos que lutar para que ela melhore, as coisas vão melhorar.  Se depender dos governos, eles fecham as escolas públicas, constituem uma elite educacional e os nossos filhos vão amargar duramente na vida, inclusive na disputa do mercado de trabalho condizente. ”
Juliana Franco, da comissão de mães que lutam por vagas para seus filhos e melhorias nas escolas em São Bernardo, falou da correria que estão fazendo, com a mudança de lei (a geolocalização) que redistribuiu alunos do bairro Demarchi para outros bairros. “Nossos filhos estudavam lá desde o prezinho, a gente pagava a perua, agora foram mandados um para cada local”. Um grupo de 70 mães abriu um processo através da Secretaria da Educação. “Fomos à escola conversar com a diretora, teria espaço físico, porém as vagas não foram abertas. Fomos ao Conselho Tutelar que nos ajudou com a realização de mais uma reunião. Fomos à Ouvidoria, que respondeu que as salas não foram abertas por falta de espaço físico. A alternativa foi uma escola detonada, sem vidros, ventiladores quebrados.  Nossos filhos estão na escola agora, então queremos essas melhorias agora”.
Para Marcely Sales, estudante do Curso Passo à Frente da APEOESP, a problemática do ensino público começa no transporte, principalmente no ensino médio. “O jovem que estuda longe da sua residência tem que pagar a tarifa, como fazer se não tem de onde tirar? Pensamos em desistir, mas somos aquela pedrinha no sapato dos que governam, estaremos resistindo”. 
O professor Chico Gretter lembrou que a APROFFESP (Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Estado de São Paulo) foi fundada em 2009, resultado de uma luta que começou nos anos de 1980 para a volta da Filosofia nos currículos escolares. Disciplina que havia sido desobrigada pela lei 5692/71, da ditadura militar. “Com essa lei e a mentalidade tecnicista - que é essa que volta agora com Bolsonaro - se depreciava toda a formação humana. A profissão do professor foi depauperando, sendo destruída. Veio a abertura política com o Sarney, a Constituição Federal de 1988, Fernando Henrique, no governo Lula tentou-se recuperar com um Plano Nacional de Educação, a volta da Filosofia se deu em 2008, mas é claro que educação não se muda da noite para o dia”.
“Praticamente depois de uma luta de 15 anos de reconstrução da profissão, de um plano, da aprovação de 75% do pré-sal para a educação, aprovada no governo Dilma, em dois anos do governo Temer foi tudo cortado. Parece que com a afirmação do Bolsonaro sobre Filosofia e Sociologia o pessoal acordou. Se no tempo da ditadura havia censura declarada contra os artistas e intelectuais, hoje há uma voz única nos grandes meios de comunicação em favor da reforma da previdência, sem dar voz aos que se opõem, apesar de 51% da população estar contra.  Não tem dinheiro para escola, para salário, para a saúde, mas o lucro dos bancos é absurdo. Os pais e os alunos têm que ser chamados para essa discussão, não pode ser uma briga de vanguarda. ”

Inclusão é dever do Estado
Elaine Batista, mãe de Maria Fernanda, uma menina de 11 anos, com deficiência intelectual, hoje inserida no ensino regular de São Bernardo do Campo, lembrou que não é um favor do Estado oferecer condições de ensino para crianças e adolescentes com deficiência. É uma obrigação”, afirmou ela, destacando o artigo 53 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e o 27 da LBI (Lei Brasileira da Inclusão). “A gente como cidadão se fizer algo errado logo vem uma multa, não entendo porque o Estado não é multado quando não cumpre com seus deveres em relação às pessoas com deficiência? ”.
Segundo Elaine, 90% das escolas não oferecem condições de acessibilidade e o professor não tem capacitação para receber alunos com deficiência. O que o Estado fornece para que essa criança permaneça na escola? Fornece um cuidador só para cuidar da higiene, alimentação e locomoção. A inclusão vai além disso, é preciso um apoio dentro da sala de aula para esse aluno. É preciso que o Estado saia de sua zona de conforto e dê condições para que as crianças com qualquer tipo de deficiência estejam na escola, é direito deles. A gente fala e ninguém nos ouve. Minha filha, antes da deficiência é uma cidadã. ”
Adelaide Manfre, mãe de um garoto autista severo, destacou o movimento que estão fazendo para garantir um cuidador especializado dentro da sala de aula. Já entraram em contato com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, que alega estar sem o profissional que avalia a criança; com o Ministério Público, sem resposta. “Nossos filhos sem professor, dentro de casa, invisíveis na sociedade. Os professores nos procuram pedindo socorro. A gente precisa desse cuidador para dar qualidade aos professores, aos nossos filhos e demais alunos. Nós somos a voz das nossas crianças hoje. Quando o Estado vai olhar para nossos filhos como cidadãos? O Estado vem descumprindo com a decisão judicial, tramitada e julgada em 2011, por uma ação civil pública de pais de autistas, que garante a eles o direito à escola especializada. “
“Assim como a escola não tem estrutura para receber os filhos de vocês com deficiência, tampouco tem estrutura para receber o professor readaptado, ele vira a subclasse, é aquele que não tem condições nem de ir para sala de aula, é aquele que fica sem fazer nada, é um encostado". O desabafo é de Elaine, professora readaptada em São Bernardo. Acometida pela síndrome de pânico, por conta de violência em sala de aula, ela disse que passou por perícia médica, sendo afastada há dez anos dessa atividade. No entanto, “do nada”, teve a readaptação cessada, tendo que voltar para a sala de aula.
“No ano passado, tive crise no meio do caminho, porque não posso nem passar perto. Entrei com processo contra o Estado para restituir a readaptação, depois de meses consegui de volta. Enquanto esperava, tirei licença saúde porque não tinha condições, mas as licenças foram negadas e meu salário cortado. Nada disso que vocês disseram é novidade para mim, quantas vezes eu quis abandonar a sala de aula, eu não aguentava mais, chega um momento que você não sabe qual é a sua função. Eu ia para a escola ensinar minha matéria ou para tomar conta de aluno? Eu fico extremamente preocupada com alunos com deficiência dentro da escola frente ao caos, ao inferno que é a escola. Como professora readaptada, sei exatamente o que é a discriminação dentro da escola, ser tratado como subclasse, como louca”.  
Willian de Jesus Silva é autista do chamado nível 1, a síndrome de asperger, servidor do Ministério Público, estudante da USP Leste, militante do Setorial de Pessoas com Deficiência do PSOL de São Paulo, membro da Abraça - Associação Brasileira para Ação por Direitos da Pessoa com Autismo e fundador do Coletivo Anjos Vermelhos. “Quando se fala em educação inclusiva, temos que falar também em acessibilidade sensorial, adaptação acústica das paredes, currículo adaptado, o respeito que as outras crianças sem deficiência devem ter para conosco. E temos que começar a falar também da situação dos adultos com deficiência, das pessoas autistas que estão chegando na idade adulta, como a gente vai sobreviver. ”
“A questão da problemática do ensino para pessoas com deficiência, sobretudo para nós pessoas autistas, deve ser analisada de forma multisetorial, não apenas as áreas de educação e saúde, tem que envolver segurança pública, habitação, lazer, turismo, esporte. Temos que começar a falar do sistema de emprego apoiado, oferecer residências inclusivas aos autistas que chegarem à idade adulta, vagas no mercado de trabalho, adaptar os ambientes no ensino universitário, são poucos os autistas que chegam a esse ensino, sobretudo os autistas severos. Exige-se um suporte diferente para cada tipo de autismo. Temos que começar a falar de direitos sexuais reprodutivos, a quantidade de mulheres autistas que sofrem violência sexual antes dos 18 anos é gigantesca, mais de 60%. “
“Se a educação inclusiva está mal das pernas é porque há lobbies querendo transformar nossa condição em mercadoria, com a implantação de clínicas-escola, jogar a criança autista dentro de um abrigo para preservar o comodismo de alguns. Aqui na Alesp foi aprovado um projeto de lei, apresentado por Giannazi e que virou a lei 15830 de 2015, que reduz o número de alunos por sala de aula para 25, onde tenha alunos com deficiência. Essa lei está sendo cumprida?  Evidente que não. O governo do Estado está mais interessado em enriquecer banqueiros do que investir na nossa autonomia e dignidade. ”
          Leo Duarte é conselheiro tutelar em São Bernardo do Campo e pai de um adolescente de 17 anos com deficiência. Em São Bernardo, segundo ele, há um atendimento minimamente adequado para as crianças que estão na rede municipal de ensino, mas quando vão para o Estado o terror começa. Primeiramente, pelo fato das escolas não oferecerem condições para as crianças com deficiência, desde acessibilidade, não só às pessoas cadeirantes, mas àquelas com deficiência visual, bem como não assegurarem a presença de um auxiliar de educação para atender as demandas dos alunos autistas. “Você tem o cuidador com a tarefa de levar a criança para o transporte, se alimentar, ir ao banheiro, coisas importantes, mas as funções pedagógicas ficam a desejar.  Quando as pessoas buscam o Conselho Tutelar e apresentam essas demandas, nossa função é requisitar não só o cuidador, mas o auxiliar em educação. Porém, a resposta padrão da Diretoria de Ensino é de que esse profissional não consta na rede estadual. Nós tivemos um caso em Mogi das Cruzes que uma família entrou na justiça e o juiz deferiu que fosse disponibilizado um professor extra na sala de aula para uma criança com síndrome de down. Nós temos uma ação julgada em São Bernardo em que o juiz coloca que o Estado tinha até dois anos para adequar todos os espaços educacionais com acessibilidade. Isso foi em 2010, e essas escolas continuam da mesma forma. ”
Cinco mães procuraram o Conselho Tutelar em São Bernardo porque já haviam ido à Defensoria Pública, Ministério Público, Diretoria Regional de Ensino solicitar transporte escolar para seus filhos com deficiência visual matriculados no Instituto Padre Chico, na capital. A Diretoria Regional de Ensino nega o pedido de transporte das mães, com o argumento de que há escolas na cidade aptas a receber as crianças. Depois de visitar o Instituto Padre Chico que dispõe de sinalização tátil, informações em braile, máquinas de escrever próprias para os alunos, os conselheiros foram às unidades indicadas pela diretoria de ensino. “Constatamos que não há sinalização, não há rampa de acessibilidade, nem máquina de escrever em braile. Ou seja, o Estado tem sido muito perverso e maldoso. ”
Como disse Leo, outras diretorias regionais conseguem disponibilizar transporte para suas crianças, caso de Guarulhos e Osasco, mas a de São Bernardo “é muito ruim e até desrespeitosa”, inclusive proibindo a presença de conselheiros tutelares em reuniões com pais e professores. O Conselho conseguiu assegurar o transporte para as crianças matriculadas no Instituto Padre Chico, mas o governo do Estado recorreu, o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, recorreu e as crianças estão sem escola. “Essa maldade da Diretoria Regional de Ensino tem se refletido também nas escolas municipais que já apresentam dificuldades que não tínhamos tempos atrás, via Secretaria Municipal de Educação. Recentemente, temos a questão dos fretados que transportam crianças que moram distante da escola e a questão do cartão legal, o município joga para o Estado, que joga para o município.
Cleudiane Sousa, que também é conselheira tutelar em São Bernardo, afirmou que a educação está falida e é de propósito. “Não é por acaso que a escola e o ensino são ruins, é para manter, segundo Pierre Bourdieu, o status quo, manter a Cleudiane na pobreza e alguém na riqueza. Para os filhos deles tudo, para os nossos nada. Parece que nada toca dirigente regional de ensino, governador, prefeito, as crianças são invisíveis e as crianças com deficiência, além de invisíveis, não são queridas. A inclusão é linda no papel, mas no dia, dia ela é perversa. Se as mães de crianças em condições normais não querem levar suas crianças para escolas do Estado, como as mães de crianças com necessidades vão se sentir seguras em deixar seus filhos em tais escolas? ”
Tiago Rosa, diretor da APROFFIB, que é professor há quatro anos em sala de aula, destacou a cobrança que existe sob os professores para atender os alunos com deficiência, “mas não temos suporte nenhum”. “Vemos a dificuldade que é incluir o filho e, de outro lado, a gente incluir esse aluno numa sala com 40 alunos, onde não há professor auxiliar, nem material apropriado. O Estado é omisso, não se sente na obrigação de fazer absolutamente nada. ”
Sobre o passe livre, lembrou Tiago, tem a questão dos alunos, mas também a do professor. “A gente tem direito a duas cotas por dia, meia tarifa, entretanto, para aqueles que trabalham em duas ou três escolas, como é o meu caso, como fica? O excedente sai do meu bolso, muitas vezes o que eu gasto em passagens é mais do que ganho em uma aula, isto é, eu pago para trabalhar. “
Para exemplificar a situação de calamidade em que vivem as escolas do Estado, Tiago relatou o que ocorre na Escola Evandro Esquivel, em Diadema, “o que se repete em outras cidades”. Durante o dia há uma certa segurança, mas à noite professores e alunos ficam à mercê de ladrões, que já roubaram computadores, celulares, impressoras, carros. “Inclusive, entraram na sala dos professores, deixando todos de joelhos, que procuraram as autoridades, mas nada foi feito. Os professores se juntaram e contrataram segurança particular, pelo menos para a entrada e saída deles”. 
“Imagine se há alunos de inclusão num cenário como esse.  Uma situação que não sei se dá para piorar, porque não há o fundo do poço no que se refere à precariedade do ensino, e o mínimo que a gente pode fazer é falar, reclamar e exigir que as autoridades tomem providências. Não sei se existe uma receita para mudar a educação de uma hora para a outra. Há uma frase do Paulo Freire que é a seguinte: educação não muda o mundo, educação muda pessoas e pessoas mudam o mundo”.
Leis existem, mas não são cumpridas 
Segundo o deputado Carlos Giannazi, avançamos pouco na questão da educação inclusiva, aprovamos leis importantes, mas que não são cumpridas. “Nosso mandato apresentou o projeto e aprovou a lei 15.830, de 2015, que só é cumprida em alguns momentos quando a comunidade se organiza e pressiona a Defensoria Pública, o Ministério Público, que faz pressão sobre a Secretaria da Educação, da Diretoria de Ensino local, e eles acabam cumprindo, mas não é em todo o lugar. Eles reconhecem que a lei entrou no ordenamento jurídico, mas que a rede ainda não tem condições, porque teria que construir novas escolas. Então que se faça um planejamento, porque a lei é de 2015, já era para a secretaria ter feito tal planejamento, ela tem técnicos, sabe onde tem demanda. A questão é de interesse político”.
“Legislação que garante a inclusão temos: o ECA, LDB, a Constituição Federal, os planos estaduais, municipais e nacional de educação. Temos uma PEC para ser aprovada que reduz a jornada de trabalho dos servidores públicos que têm filhos com deficiência, na Câmara Municipal há um projeto que aumenta a licença maternidade e paternidade de mães e pais de filhos com deficiência. Mas temos que garantir o cumprimento do que já existe. Se o Estado não é pressionado, ele não atende a demanda social”.
O deputado Giannazi criticou a fala do presidente Bolsonaro e do ministro da Educação, que pretendem tirar as disciplinas Filosofia e Sociologia do currículo escolar, como fizeram os militares no golpe de 1964. Me lembro que Fernando Henrique não queria e inviabilizou ao máximo essas disciplinas como obrigatórias. Agora na reforma do ensino médio, Bolsonaro, nada mais previsível, um governo autoritário, atacar a Filosofia, a Sociologia e as Ciências Humanas. Mas não vai conseguir porque para isso tem que mudar a LDB, então não tem condições de aprovar isso no Congresso Nacional. Vai ter muita luta e resistência”.

Participantes criam comissão pela Educação inclusiva
 

No encerramento da audiência pública, os participantes aprovaram a criação da Comissão Estadual de Luta pela Educação Inclusiva e elegeram um conjunto encaminhamentos. Entre eles:
ü Cobrar a aplicação das leis sobre Educação inclusiva e cobrar do Ministério Público medidas concretas;
ü Cobrar do Prefeito Orlando Morando de São Bernardo os devidos esclarecimentos sobre o passe escolar e, da Secretaria de Educação, a política dos fretados;
ü Realizar audiência pública específica com mães, pais e alunos com necessidades especiais, para mobilizar e exigir o cumprimento da lei;
ü Fazer audiência pública com professores e alunos de Filosofia e Sociologia contra os ataques do governo federal e o impacto destas narrativas em âmbito estadual;
ü Marcar reunião com o secretário de Educação para esclarecimentos sobre as Ciências Humanas, bem como sobre a grade curricular de 2020, mediante a transição da BNCC;
ü Encaminhar notas taquigráficas desta audiência ao Governo Estadual, Secretário Estadual de Educação, Prefeitura de São Bernardo do Campo, Diretoria de Ensino de SBC e Diadema;
ü Reunião com as lideranças das bancadas parlamentares para cobrar medidas concretas com as políticas de inclusão;
ü Agendar reunião com o secretário de Educação para cobrar as políticas de Educação inclusiva;
ü Contratação de professores auxiliares em sala de aula com alunos de inclusão, além da manutenção dos cuidadores. 



AÇÕES DA APEOESP SUBSEDE SBC

§  Atendimento jurídico: todas às terças e quintas.

§  Curso de Francês: acontece todas as quartas-feiras, das 12h30 às 14 horas, e das 14 às 15h30, na sede do Sindicato.

§  Cursinho Passo à Frente gratuito para atender jovens em preparação para o ENEM e vestibular.

§  Reunião mensal da Comissão dos/as Professores/as aposentados/as, na última quinta-feira de cada mês, às 16 horas.

§  Comissão de professores/as readaptados/as.

§  Reunião mensal da Comissão em Defesa dos Animais.

§  Grupo de Teatro de alunos do Curso Passa a Frente, sob orientação de Heitor Valim, aos domingos.

EXPEDIENTE
COORDENAÇÃO APEOESP – SUBSEDE/SBC
Aldo Santos – Coordenador; Abigail Toniol – Vice coordenadora; Vera lúcia Lima – Tesoureira; Nilzete Nascimento dos Santos – 2ª Tesoureira; Secretária – Maria da Conceição Oliveira
Endereço: Av. Dom Paulo Mariano, 40
Nova Petrópolis – CEP 09770-320 - São Bernardo do Campo
Tel.: 4125-6558
E-mail: sindicatoprofessores.sbc@gmail.com
https://www.apeoespsbc.com.br/
https://www.facebook.com/apeoespabc/

22/06/2019

Lançamento do livro de Manoel Tavares da Silva.


Com a presença de parentes, amigos, membros da comunidade do Jardim Represa, lideranças de outros Bairros e parlamentares, foi um sucesso o lançamento do livro do líder comunitário Manoel Tavares da Silva que tem como título "O homem que venceu".

Foi uma tarde memorável para o Sr. Manoel, como popularmente é conhecido e uma justa homenagem de comemoração de aniversário e lançamento de seu livro "O homem que venceu",um relato biográfico de Manoel Tavares Silva que conta a vida da família, da sua militância politica na Região do Jardim Represa, na cidade de SBCampo e nas fileiras do Partido dos Trabalhadores. 

A jornalista Toninha Carrara, pediu-me que escrevesse um comentário sobre o referido autor, o que foi motivo de orgulho contribuir com a história e memória deste e de nossos nossos lutadores sociais, num momento de profunda criminalização da política, dos movimentos e dos lutadores/as sociais. 
Parabéns ao Companheiro Manoel Tavares por esta importante publicação. 
Na fala perante os presentes reafirmei a necessidade dos trabalhadores/as registrarem suas histórias, pois, a depender da burguesia, sempre seremos condenados ao anonimato da história.

Desejo sucesso neste e em outros livros que certamente virão pela frente.
SBCampo, 22/06/2019
Aldo Santos para o ABCdaLUTA

20/06/2019

Ato de desagravo contra a injusta condenação do professor Aldo Santos e Camila Alves, na Assembleia Legislativa de São Paulo.


Dezenas de militantes participaram ativamente da manifestação que contou, dentre outros/as, com a abertura dos trabalhos pelo Deputado Estadual Carlos Giannazi, do Psol, e da Deputada Estadual Mônica Seixas, da bancada ativista do Psol. Participaram também o Presidente estadual do Partido, companheiro Juninho; representante do Deputado Federal Ivan Valente ; Dirigente Estadual do MTST, companheiro Dalécio; Ex-deputado estadual Anísio Batista; Alberto Souza, ex-vereador em SBCampo;Chico Gretter e Elaine pela Aproffib; representantes do MEL , do MES, do MST; representante da TLS; da Intersindical; do comitê da luta antimanicomial e a presidenta da Aproffesp, Lucia Peixoto, que coordenou a mesa dos trabalhos. Além das manifestações de repúdio a esta injustificável condenação, foram aprovadas as seguintes propostas: 1- Continuar realizando outros atos para denunciar estas absurdas condenações e criminalização da política, dos movimentos e lutadores sociais; 2- Criar comitê contra a criminalização dos movimentos e lutadores sociais; 3 - Ingressar com representação na OEA, denunciando as violações dos direitos humanos deste caso, Aldo Santos e Camila Alves, bem como continuar com a assessoria jurídica na tentativa de reversão desta condenação em curso.
Ao final, Camila e Aldo Santos agradeceram a presença de todos e todas, reafirmaram o compromisso de continuar na luta de libertação do povo espoliado pelo sistema capitalista.

No dia 29 de junho, às 14 horas faremos uma grande plenária de avaliação e propostas. Agende um ato em sua cidade ou região. Contatos: 41256558 ou 982505385
Lutar, resistir e vencer é preciso!
ABCdaLUTA.

13/06/2019

Mem de Sá, João Ramalho, Domingo Jorge Velhos, os bandeirantes e inúmeros outros facínoras a serviço da colonização...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mem de Sá, João Ramalho, Domingo Jorge Velhos, os bandeirantes e inúmeros outros facínoras a serviço da colonização, do império; portanto, do Capitalismo.

Aldo Santos usa a tribuna para cobrar da presidenta Dilma o feriado Nacional do dia 20 de Novembro – Dia da Consciência Negra e repudia o gasto de 28 milhões com a reforma da Câmara Municipal de SBCampo.
Na noite do dia 04 de novembro de 2011, o teatro Cacilda Becker foi palco da celebração da Sessão da Consciência Negra em Sbcampo do campo.
O vereador José Ferreira abriu os trabalhos da sessão, agradecendo a presença de todos e destacou em sua fala o histórico da luta desenvolvida na cidade, que teve início com o vereador Aldo Santos, 1989 com a realização da primeira Sessão e Comemoração Oficial da cidade.
O vereador Ary de Oliveira, também fez uso da palavra e disse que essa sessão vem de longe, desde o tempo do ex-vereador Aldo Santos que deu o ponta-pé inicial nesse debate. “[...] me lembro do Aldo Santos realizando essa sessão com apenas oito pessoas, mais ele não desistiu”.
Para o Diretor-presidente da Fundação Criança, Ariel de Castro Alves, esse é um momento importante para a cidade. Destacou a presença do ex-vereador Aldo Santos na atividade, e, rememorou os grandes momentos de luta com ocupações ,prisões e, ironicamente perguntou se a medalha João Ramalho já foi extinta ou não?
Sr. Wilson da Ama fez um belo relato, falando da identidade do negro que vem sendo conquistada recentemente no Brasil e citou sua própria família. Lembrou de fatos de combate ao racismo, onde na ocasião ele entrou em contato com o vereador Aldo Santos e José ferreira, que prontamente o ajudou no referido caso. Segundo ele essa mentalidade de luta é muito importante.
O Ex-vereador Aldo Santos fez uso da palavra, agradeceu a homenagem, que recebeu, juntamente com outras pessoas e historicizou sobre o significado dessa data.
“Em 1989 quando entrei nesta casa, uma das minhas primeiras resoluções foi instituir na cidade A Semana da Consciência Negra, que foi comemorado na Câmara Municipal em 20 de novembro de 1989, com representação de vários segmentos da sociedade. Apresentei também o projeto da Capoeira nas Escolas, que infelizmente foi rejeitado pelos vereadores da época. Entendo inclusive que outro vereador deveria retomar esse projeto.
Apresentei o projeto pelo Feriado Municipal na Cidade, uma das primeiras Cidades a apresentar tal lei, que infelizmente foi boicotada pelos vereadores da época, bem como pela administração. Foram realizadas grandes atividades populares, sindicais e estudantis.
Além desses pontos, Aldo Santos ainda lutou pelas cotas na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, que ainda se mantém discreta e o silêncio perdura.”
Além desses fatos,nesse período, o Vereador foi agredido pelo renomado jornalista Célio Franco, que publicou um texto no jornal eletrônico Cliqueabc, desqualificando a sua luta, agredindo o movimento e ridicularizando o Projeto pelo feriado Municipal de 20 de novembro, bem como a figura de Zumbi dos Palmares.
O Ex-vereador de São Caetano do Sul, Dr. Horácio Neto, solidário ao até então vereador Aldo Santos, ajuizou uma ação de reparação por danos morais em face da agressão dispensada ao mesmo. Da sentença restou a condenação ao pagamento por danos morais, sendo ainda obrigado a publicar uma retratação no mesmo veículo eletrônico por cinco dias e com mesma quantidade de toques e linhas àquele que deu origem ao processo.
Além desses fatos históricos e merecedores de registro por todas as forças democráticas, Aldo Santos cobrou o Feriado Nacional que o presidente anterior não instituiu e que a presidenta Dilma assine urgentemente essa lei federal, para evitar que as elites e o comércio nas referidas Cidades onde existe o feriado municipal, distorçam a finalidade de nossa luta e comemorem em outras datas, que não o 20 de novembro.
Destacou ainda que enquanto os negros da periferia estão excluídos por falta de investimento do poder público, a Câmara de São Bernardo do Campo inicia uma reforma de 28 milhões em seu prédio, construindo um Castelinho, enquanto o povo pobre está abandonado a sua própria sorte. Enquanto filhos e filhas e guerreiros de Zumbi, não podemos concordar com essa reforma que é um escárnio para com os tributos pagos pelos moradores da cidade.
O presidente municipal do PT Salatiel fez o uso da palavra, reconheceu a contribuição histórica do ex-vereador e afirmou que também é favorável que a presidenta Dilma, de fato, institua o feriado Nacional.
Concomitantemente às atividades políticas, várias apresentações culturais, religiosas e de capoeira exaltaram a celebração de mais uma atividade marcante na cidade de São Bernardo do Campo.
Por fim, convém esclarecer que em relação à Medalha João Ramalho, acima mencionada, continuamos defendendo uma releitura da história e suas referências . É honroso homenagear um munícipe dando uma medalha cuja insígnia representa um personagem que historicamente é acusado de ser traficante de índios e que com o mesmo intento dos bandeirantes dizimaram, escravizaram e exploraram o nosso povo ao longo da historia do Brasil?
Dentre esses personagens destacam-se: Mem de Sá, João Ramalho, Domingo Jorge Velhos, os bandeirantes e inúmeros outros facínoras a serviço da colonização, do império; portanto, do Capitalismo.

Lutar contra o preconceito Racial é preciso!!!

Assessoria de comunicação do Psol de São Bernardo do Campo.

03/06/2019

Contra a Criminalização da política, dos movimentos sociais e dos/as lutadores/as do Povo.

CONTRA A CONDENAÇÃO DE
ALDO SANTOS E CAMILA ALVES CÂNDIDO.

“A invasão da gleba situada neste município é de responsabilidade do Movimento dos trabalhadores Sem Teto - MTST, liderados  no local por Camila Alves Cândido, Iracema Mendes da Silva e João Batista costa, como fartamente divulgado pelos jornais.
Mas o vereador Aldo dos Santos teve papel de destaque  nos fatos supra mencionados. Cerca de 30 dias antes do início da invasão, no dia 18 de junho de 2003, durante a 20ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Vereadores de São Bernardo do Campo, onde se discutia  a situação dos Municípios com os moradores de Rua, o réu  estimulou expressamente a invasão de áreas  livres do Município como solução para o problema habitacional”. 
Essas foram suas palavras: “Por último, quero dizer para  vocês que moram nas ruas. Não adianta somente reclamar. Ora, vocês conhecem muitas áreas  em São Bernardo. Não conhecem? Vocês tem que mapear essas áreas e ocupá-las também para terem casa. Temos que organizar isso. Temos tantas áreas  boas  em São Bernardo. Vamos organizar. Faz um grupo de sem teto que não tem para onde ir e vamos levantar  umas áreas legais que tem por aí e entrar. Ou vocês  vão esperar que alguém leve vocês para lá, achando que vocês merecem?
Então gente,  se organizem também, criem um grupo de sem-teto, assim como os Sem-Terra estão fazendo no interior, levando os trabalhadores, se organizem, porque tem  muita área boa em São Bernardo se vocês foram para lá, por que vai ser melhor servir a vocês do que servir para a exploração imobiliária. Contem com a bancada do PT, Fatima Araujo, Tião Mateus, Antonio Carlos e Zé Ferreira” (pg 13)
A Ação cita ainda, que segundo edição do Jornal Diário do Grande abc, o vereador Aldo Santos (PT) tem seu nome ligado à outra ocupação (ele é o “Aldo” da Vila Lulaldo, também em São Bernardo do Campo)” (Pg 14)
Os recortes acima constam da Ação Civil Pública, em 18 de dezembro de 2003, subscrita pelos promotores de justiça: ROSÂNGELA STAURENGHI, FERNANDO ALVAREZ BELAZ E DA ESTAGIARIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO  VANESSA VELLOSO SILVA SAAD.
Anos depois, o  ex-vereador Aldo Santos além da perda dos diretos políticos por 5 anos, a partir de 2018, consta na folha  72 do referido processo, que: “Defiro o bloqueio de valores  do(s) executado(s) Aldo Josias dos Santos, no valor de  R$ 658.360,86, e, Camila Alves Cândido, no valor de R$ 37.227,06”.
Como se não bastasse, ainda bloquearam os salários dos  supracitados, desde o pagamento de  maio de 2018.
Em conversa com a companheira Camila, além das ações jurídicas cabíveis, vamos manter viva a mobilização contra essas condenações, e esperamos que a solidariedade de classe se faça presente por parte dos movimentos sociais, sindicais, estudantis  e partidários.

Lutar, Resistir e Vencer é preciso!

COMISSÃO SOLIDÁRIA
02/06/2019

26/05/2019

Reunião solidária ao professor Aldo Santos na apeoesp /sbc.


Além dos informes coletivos, debatemos a conjuntura, o ataque aos movimentos e lutadores sociais, bem como a necessidade de nos reorganizarmos ainda mais para enfrentar este governo de extrema direita.
Foram aprovadas as seguintes propostas:
1- Elaborar um panfleto para ser distribuídos nos movimentos sociais, assembleias e Bairros;
2-Sugerir que este debate seja pautado nas subsedes da apeoesp no dia da Reunião de Representes, (06/06/2019), com aprovação de moções e coleta de assinaturas do manifesto que já está circulando;
3-Realização de ato de desagravo no abc no dia do RE, dirigido prioritariamente a Educação,uma vez que o professor Aldo Santos é histórico militante da Educação e atual coordenador da subsede da aepoesp em Campo;
4-Realização de ato de desagravo na região do grande ABCDMRR, no dia 08/06, às 14 horas na Câmara Municipal de São Bernardo do Campo;
5- Realização de ato de desagravo na Assembleia legislativa às 19 horas do dia 18/06/2019.
6- Realização de outras atividades denunciando este caráter de criminalização, bem como contextualizar com as pautas contra a reforma da previdência, luta por emprego e salário,pela reforma agraria e urbana e por efetivo investimento na saúde e educação, além do combate a toda e qualquer forma de opressão e subtração das liberdades coletivas e individuais.
São Paulo, 
26/05/2016

Comissão Solidária de Apoio ao Professor Aldo Santos.